A manhã começa devagar no alto de Lisboa. Na Sala Tejo, no último andar do hotel, vista para os telhados do Chiado e o Rio Tejo aparece ao fundo, como parte da própria mesa. É um cenário que pede tempo, ao menos uma hora, sem pressa, para que o pequeno-almoço deixe de ser apenas a primeira refeição do dia e ganhe outro ritmo. A trilha sonora, com muita bossa nova, ajuda a criar uma atmosfera quase cinematográfica, dessas em que a cidade parece estar acontecendo em outra velocidade.

Verride Hotel. Crédito: Divulgação

A torre de seis níveis é um dos destaques da experiência. Crédito: Divulgação

Para compor o cenário da sala, uma mesa, exposta como uma peça de museu, chama a atenção pelos guardanapos personalizados, pela louça cuidadosamente escolhida e por uma composição que foge do aspecto convencional de um café da manhã de hotel. A peça faz parte do acervo do proprietário e costuma ser usada apenas em ocasiões festivas.

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Verride Hotel. Crédito. Divulgação

Frutas da estação, iogurte e granola no pequeno-almoço do Verride Hotel. Crédito: Jordan Alves

A proposta tem algo de brunch, mas a lógica é outra pois não há a sensação de que tudo foi colocado à mesa de uma só vez. O cardápio muda diariamente e acompanha as estações, com produtos portugueses e ingredientes mais frescos. Na manhã da visita, o suco detox era de maçã verde e cenoura e o suco do dia era de laranja,  enquanto uma torre de seis níveis reunia pequenas porções que iam da espuma aromatizada de manga às madeleines de lima com alperce, passando por mini tortas de requeijão, beterraba e pinhão torrado, enchidos, manteiga, compota de abóbora e gaspacho. Há ainda um carrinho de queijos de diferentes regiões de Portugal e opções de bebidas vegetais.

Chef Fábio Alves. Crédito: Jordan Alves

O chef Fábio Alves valoriza os produtos locais para o preparo. Crédito: Jordan Alves

À frente da cozinha está o chef Fábio Alves, que há sete anos trabalha no hotel e é responsável por toda a carta. Para ele, a mudança diária é parte essencial da experiência:

“Diria que é o facto de todos os dias ser diferente, ou seja, nós fazemos menos de prestação, tem cinco menos, e ao longo da semana todos esses momentos são diferentes. O objetivo é trabalhar com um produto nacional, 100% de produto nacional, e o facto de todos os dias estarmos a fazer menos diferentes faz com que o produto seja mais fresco, mais da época”.

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Carro de queijos. Crédito: Jordan Alves

As opções de queijos portugueses do menu. Crédito: Jordan Alves

É nos pratos quentes, porém, que o pequeno-almoço muda de tom. Os ovos são preparados de diferentes maneiras e aparecem como uma espécie de capítulo à parte da refeição e a sugestão do chef para aquele dia pode ser mais interessante do que simplesmente escolher a preparação habitual.

“Nós apostamos muito nos ovos, fazemos ovos elaborados, ou seja, não fazemos os ovos mexidos simples, diria assim, não faz parte do menú, apesar de termos ovos mexidos, mas são sempre compostos. Tentamos, gostamos muito e queremos impressionar através dos ovos”, explica Fábio.

Varride Hotel. Divulgação

Alguns pratos são finalizados na mesa. Crédito: Divulgação

A sobremesa também não é fixa. Na visita, veio uma panqueca com chocolate e frutas, encerrando a refeição de maneira mais doce. O menu pode ser adaptado ao cliente, enquanto enchidos e queijos nacionais reforçam a intenção de colocar Portugal no centro da experiência. “Não faz sentido estar em Portugal. Não trabalhar com o que é nosso, dar a conhecer ao estrangeiro o que é nosso, e mesmo ao nacional o que é nosso”, diz o chef. Para quem está hospedado, o serviço pode ainda ser levado ao quarto ou à suíte durante as 24 horas do dia.

Mesa posta Verride Hotel. Crédito: Jordan Alves

Mesa posta que faz parte do acervo pessoal do proprietário do Verride Hotel. Crédito: Jordan Alves

A experiência também está aberta a quem não se hospeda no hotel, permitindo que mais pessoas ocupem a Sala Tejo por algumas horas e acompanhem Lisboa do alto enquanto o dia começa. A proposta integra o Verride Palácio de Santa Catarina, membro da Relais & Châteaux, associação que reúne hotéis e restaurantes independentes em diferentes países e tem entre seus princípios uma hotelaria mais personalizada.

Verride Hotel. Crédito: Divulgação

O Verride Palácio de Santa Catarina no alto de Lisboa. Crédito: Divulgação

O pequeno-almoço é servido diariamente, das 7h30 às 11h30, na Sala Tejo, e o hotel fica na Rua de Santa Catarina, 1, em Lisboa. O custo é 45 euros por pessoa, sujeito à disponibilidade. Para os hóspedes, a experiência pode ser levada ao quarto ou à suíte em qualquer horário.

jordan@revistaentrerios.pt