Há mulheres que atravessam a vida em silêncio; Anita, não. Em Notas de Anita, primeiro romance de Branca Lescher, a protagonista rasga memórias, desejos e contradições com uma franqueza quase brutal, dessas que incomodam porque reconhecem o humano sem filtros.
Publicado pela Editora Urutau, o livro finalmente chega a Portugal nesta sexta (22), às 18h30, na Livraria Snob com apresentação da linguista Carolina Gramacho, da Universidade de Lisboa, que conversará com a autora sobre a obra.
A obra, que já foi apresentada na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e na FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), é escrita com ironia afiada e delicadeza subterrânea. Nela, Anita narra a própria vida como quem reorganiza destroços íntimos, transformando o corpo e a lembrança em território de liberdade.
A voz da personagem nasceu, segundo Branca, entre experiências pessoais, observação cotidiana e o prazer de inventar excessos.
“A Anita foi surgindo, aliando algumas experiências pessoais à observação. Muitas histórias apareceram espontaneamente, sem nenhuma ideia a priori”, conta a autora.
“Eu escrevia e ria das maluquices da Anita”. Mas por trás do humor existe uma mulher “plena de vicissitudes, verdadeira, sincera”, alguém que “não tem medo de ofender”. Ao longo das 126 páginas, o romance percorre as zonas mais delicadas da memória afetiva feminina, o desejo, os silêncios conjugais, o ciúme e as marcas invisíveis deixadas pelo tempo.
“A literatura nos dá a possibilidade de nos revisitarmos, até naquilo que não sabemos. O inconsciente se revelando”, afirma a autora.
Ainda que negue uma autoficção direta, a autora admite revisitar sensações próprias e de pessoas próximas, fazendo do livro uma espécie de espelho. Além da literatura Branca também é cantora e lançou em 2019 Eu não existo.
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A chegada de Notas de Anita a Portugal também carrega um reencontro afetivo de Branca Lescher com o país, onde já apresentou trabalhos ligados à música e à poesia desde 2019.
“Apresentar o livro em Portugal é uma alegria porque o país sempre me recebeu bem e Lisboa tem a luz mais bonita que já vi”, diz a escritora que é apaixonada por Fernando Pessoa desde a juventude.
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