MERCADO IMOBILIÁRIO

Brasileiros seguem entre os maiores compradores de imóveis em Portugal, mas procura desacelera em 2026

A participação do país no setor passou de 14,4% em 2025 para 11,2% em 2026, perdendo para a França e a Suíça

Agosto 2, 2026

Apesar da forte presença no mercado imobiliário português entre os estrangeiros, a busca dos brasileiros desacelerou em 2026. Crédito: Divulgação
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A presença do Brasil no segmento imobiliário português continua significativa entre os compradores estrangeiros, mas os primeiros dados de 2026 já apontam uma desaceleração desse crescimento.

Os números da empresa Confidencial Imobiliário apontam que, em 2025, os utilizadores brasileiros representavam 14,4% da procura internacional por imóveis em Portugal, enquanto neste ano, o valor caiu para 11,2%, maior quebra entre os principais mercados analisados.

Ainda assim, o Brasil está em terceiro entre os mais ativos, atrás da França (que subiu para 20,7%) e da Suíça (18,8%).

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“Portugal continua sendo um destino principal para o brasileiro, mas já compete com outros destinos europeus”, diz Hélder Batista, corretor da imobiliária Coldwell Banker City Portugal.

Para ele, o cenário atual de mais restrições à imigração e de uma desaceleração no número de brasileiros chegando ao país explica o movimento. Se entre 2019 e 2023 essa população cresceu 295,58%, entre 2024 e 2025, o aumento foi de apenas 1,56%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

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“A presença brasileira vai manter-se relevante, mas com uma maturação natural: menos motivada por especulação ou vistos, mais por qualidade de vida, segurança jurídica e um projeto de vida real em Portugal. As novas regras fiscais vão filtrar o investidor mais especulativo e reforçar o peso de quem vem para ficar”, ressalta.

Helder Batista afirma que a procura de imóveis por brasileiros vai se consolidar entre aqueles que querem construir um projeto de vida no país. Crédito: Divulgação

A desaceleração vem após um aumento muito significativo da participação brasileira no mercado imobiliário português. Até 2024, segundo dados do Banco Central do Brasil, o valor dos imóveis adquiridos em Portugal já representava 18,7% de todo o investimento imobiliário brasileiro no estrangeiro, superando os 15,7% registrados no setor norte-americano.

Em relação ao número de aquisições, eles estão entre os estrangeiros que mais compraram imóveis em Portugal em 2025, com 9.808 aquisições, aumento de 27,5% em relação a 2024, segundo o INE.

Porém, especialistas ainda veem potencial para o crescimento da demanda brasileira por imóveis em Portugal. Segundo Marta Salgado, diretora de vendas da Athena Advisers Portugal, o país ainda é o mais procurado entre os seis mercados de atuação da empresa por oferecer um equilíbrio entre a segurança, estilo e qualidade de vida que as famílias desejam. Para ela, a tendência é estrutural e não conjuntural.

“Temos observado que períodos de maior incerteza no Brasil levam cada vez mais investidores a diversificar ativos e a querer encontrar uma nova base no estrangeiro. Investir no país deixou de ser apenas uma decisão imobiliária para se tornar uma estratégia de futuro para as famílias brasileiras. É isso que nos leva a antecipar a continuidade (e possivelmente o reforço) desta busca nos próximos anos”, analisa.

Marta Salgado afirma que a presença de brasileiros no mercado imobiliário português é uma tendência estrutural e não conjuntural. Crédito: Divulgação

A profissional salienta que a busca pela construção do patrimônio também está ligada ao projeto de dar às famílias uma base de vida na Europa, especialmente com a possibilidade de obtenção da cidadania europeia.

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Setor imobiliário inflacionado

O aumento do interesse por parte de brasileiros também é acompanhado por investidores internacionais de diversos locais do mundo, especialmente por conta da estabilidade, previsibilidade e acesso a mercados internacionais oferecida pelo país em meio a incertezas globais.

Mesmo após o fim do visto gold em 2023, os estrangeiros investiram em 2025, 3,9 bilhões de euros nesse segmento. Quase 50% de todo o investimento direto estrangeiro em Portugal foi direcionado ao setor imobiliário, o que gerou um impacto muito significativo nos preços dos imóveis e das rendas.

O crescimento do investimento estrangeiro tem gerado uma pressão crescente sobre o ramo habitacional em Lisboa. O equilíbrio entre a atração de capital estrangeiro e o acesso à habitação para os residentes locais continuará a ser um desafio central”, destaca Marta.

Para tentar frear esse avanço, o Governo publicou o decreto conhecido como “Choque de Habitação” (Decreto-Lei n.º 97/2026), que trouxe novas regras fiscais para o setor e reduziu impostos como o IVA na construção para 6% e o IRS para 10% nas rendas, entre outros pontos. O objetivo é, segundo Batista, direcionar o investimento para habitação efetiva e aumentar a oferta de arrendamento a preços moderados.

renan@revistaentrerios.pt