Arte visual

“Céu Vermelho”: artista transforma vivência com câncer de mama em obra que dialoga com a ciência

Projeto de Marina Thomé e Ana Luísa Correia transforma investigação científica e experiência pessoal em instalação audiovisual inédita em Lisboa

Junho 2, 2026

Céu Vermelho. Crédito: Marina Thome
"Céu Vermelho" promove o encontro entre arte e ciência para refletir sobre o câncer de mama. Crédito: Marina Thomé

A Fundação Champalimaud recebe, nesta terça (2), a apresentação de Céu Vermelho, projeto da artista visual Marina Thomé que aproxima arte e ciência para promover uma reflexão sobre o câncer de mama, a vulnerabilidade humana e os limites do conhecimento. Desenvolvida no âmbito do programa de residências artísticas Bridges to the Unknown — crossing art with science, a iniciativa resulta de uma colaboração entre a artista e a pesquisadora Ana Luísa Correia, responsável pelo Laboratório de Dormência do Câncer e Imunidade do Champalimaud Research.  A obra será exibida em uma projeção cinematográfica na fachada da Fundação Champalimaud, em Lisboa, transformando o espaço arquitetônico. 

Céu Vermelho. Crédito: Marina Thomé

“Céu Vermelho” foi desenvolvido por Marina Thomé em colaboração com a pesquisadora Ana Luísa Correia. Crédito: Marina Thomé

O projeto parte da vivência pessoal de Marina Thomé após um diagnóstico de câncer de mama e estabelece um paralelo entre a doença e a atividade vulcânica dos Açores, especialmente a região do Vulcão dos Capelinhos. A artista utiliza o conceito de dormência para construir uma narrativa que conecta os processos biológicos do câncer às dinâmicas da natureza.

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Segundo Marina a convivência com o trabalho desenvolvido no laboratório, as imagens biológicas e os registros científicos ampliaram o repertório visual da obra e permitiram criar aproximações entre o universo científico e a linguagem cinematográfica.

“Um líquido vermelho brilhante, um frasco de laboratório de formas irregulares, os cadernos de anotações com fórmulas. Todo esse repertório acabou entrando no processo de criação a partir da investigação dela”, diz Marina.

O resultado busca estimular o diálogo sobre a imprevisibilidade da doença, os desafios da pesquisa e a importância de romper o silêncio e os tabus que ainda cercam o câncer. Diagnosticada com câncer de mama em 2019, aos 39 anos, sem histórico familiar da doença, Marina Thomé enfrentou cirurgia, radioterapia e cinco anos de hormonoterapia. Após receber alta em janeiro de 2025, ela segue apenas em acompanhamento médico de rotina.

Marina Thomé. Divulgação

Marina Thomé transformou sua experiência com o câncer de mama em arte. Crédito: Divulgação

Reconhecida internacionalmente por sua excelência em pesquisa biomédica e inovação em saúde, a Fundação Champalimaud foi criada a partir do legado de António de Sommer Champalimaud e tem como missão promover investigação científica avançada e cuidados clínicos de excelência de forma integrada.

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Por meio do programa Bridges to the Unknown, a instituição incentiva encontros entre cientistas e artistas para ampliar as formas de compreensão de temas complexos da sociedade contemporânea. Além da instalação audiovisual, a programação inclui uma mesa-redonda com especialistas.

Céu Vermelho. Crédito: Marina Thome

A instalação aproxima artistas e cientistas em torno de temas atuais. Crédito: Marina Thomé

Programa:

Data: 2 de junho
Local: Alameda da Fundação Champalimaud (exterior do edifício principal)
Morada: Av. Brasília, 1400-038 Lisboa

Entrada gratuita mediante inscrição através deste link.

19h30
Mesa-redonda com Marina Thomé (artista visual e autora de Céu Vermelho),  Luzia Travado (Psicologia Clínica / Psico-oncologia, Fundação Champalimaud) e Ana Luisa Correia (Investigadora Principal, laboratório Dormência do Cancro e Imunidade, Fundação Champalimaud).
Moderação de Marcia Mansur, antropóloga e curadora associada de Céu Vermelho.

20h30
Projeção Céu Vermelho na fachada exterior da Fundação Champalimaud

jordan@revistaentrerios.pt