Se você já passou pela LX Factory em Lisboa ou acompanhou, mesmo que à distância, a turnê de Tempo Rei de Gilberto Gil, é bem provável que já tenha visto o trabalho de Derlon. O artista pernambucano assina tanto a cenografia dos shows quanto um dos murais mais emblemáticos do hub criativo em Alcântara, onde sua identidade visual se impõe pela força gráfica e pelo traço marcante.
Com uma estética forte em em preto e branco, ele constrói imagens que transitam entre o urbano e o simbólico, ocupando tanto o espaço público quanto palcos e projetos de grande visibilidade. Agora, após uma trajetória que conecta Brasil e Portugal, ele retorna a Lisboa para um novo momento em sua carreira.

A exposição O de todo dia também quer ser milagre abre ao público na próxima terça-feira (28), às 18h30, em Lisboa, marcando a primeira individual de Derlon em Portugal. Com curadoria de Filipe Campello, a mostra reúne uma nova série de trabalhos produzidos entre o Brasil e a capital portuguesa, propondo um olhar direto sobre a relação entre o sagrado e o cotidiano. A abertura acontece na Galeria Verso, espaço que vem se consolidando como ponte entre produções artísticas do Brasil e da diáspora lusófona.
Em entrevista à EntreRios, Derlon explica que sua proposta parte da representação de “pessoas simples, comuns”, buscando criar identificação imediata com o público:
“O sagrado não está distante. Ele está nas festas populares, nas consagrações, nas coisas simples”, afirma.
Segundo o artista, a exposição procura justamente aproximar essa dimensão espiritual da experiência ordinária, retirando-a de um lugar inacessível e inserindo-a no dia a dia das pessoas.

Um dos eixos centrais da mostra é a presença da iconografia do catolicismo popular, com destaque para Santo Antônio, figura emblemática tanto em Portugal quanto no Brasil. Para Derlon, a escolha reforça o vínculo com o imaginário coletivo: trata-se de um símbolo profundamente enraizado na cultura popular, capaz de conectar diferentes territórios e reforçar a ideia de pertencimento. Essa aproximação entre fé e cultura popular estrutura a narrativa visual da exposição.
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A linguagem do artista, marcada pelo uso predominante do preto e branco, nasce do encontro entre a xilogravura nordestina e a arte urbana. Derlon conta que buscava uma estética acessível, de comunicação direta, que dialogasse com o público sem barreiras.

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Com trajetória iniciada no grafite, ele mantém o compromisso de criar obras que “abraçam” o espectador. Em Lisboa, essa pesquisa também se conecta à arquitetura e às referências históricas compartilhadas entre Portugal e Brasil.
A Verso Galeria fica na rua Francisco Metrass 64, em Campo de Ourique, Lisboa e a exposição estará aberta ao público entre os dias 28 de abril até o dia 30 de maio de 2026.
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