A trajetória de Rosane Marques teve uma verdadeira reviravolta ao longo dos anos. A carioca chegou a Portugal em 2020 com planos de se aposentar, mas acabou criando um negócio na área de tecnologia. Hoje, ela comanda o ITRTech Group, formado por quatro empresas e uma equipe de mais de 20 profissionais, e aposta no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial (IA). O grupo, que já atua em outros países, acaba de ampliar os negócios para o Brasil.
“Continuamos crescendo com a IT Recruiter e assinamos recentemente um belo contrato no Brasil para fazer essa expansão. Apesar de já termos empresa no país, nunca tínhamos focado muito nele. Queríamos aprofundar a experiência dentro do mercado português e europeu. Agora finalmente estamos abrindo o Brasil, com diversas vagas para o mercado brasileiro”, afirmou.

Rosane Marques empreendeu ao chegar em Portugal em 2021. Crédito: Divulgação
A empresa já fez negócios na Espanha, Inglaterra e Israel. O ITRTech Group é formado pela ITRecruiter (contratação de profissionais de tecnologia para empresas), pela AIVA (que oferece soluções de IA para fluxos de trabalho), ALL Recruiter (recrutamento para todas as áreas) e a SYRA (soluções de IA para SAP).
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Embora a ITRecruiter ainda seja o carro-chefe e a aquela que deu origem ao grupo (são dez clientes que já realizaram mais de 150 contratações), Rosane aponta que há um futuro muito promissor na criação de novas soluções de IA com funcionalidades práticas para ao dia a dia do trabalho. Essa vertente do negócio começou com a utilização dessas tecnologias de maneira interna para a análise de currículos, inclusão de dados e verificação de informações.
“No ano passado começamos a pegar essas IAs e levá-las ao mercado, focando principalmente em pequenas e médias empresas: nasceu a AIVA que são os assistentes virtuais de IA. A ideia é que ela se transforme numa plataforma plug and play, em que você busca uma IA que possa te ajudar”, detalha a empresária que tem apostado em IAs com nomes femininos. “As IAs com fluxo automatizados mais avançadas geralmente têm nome de mulher”, brinca ela.
Entre os projetos estão a Diana, uma plataforma que traz um fluxo automatizado com o conjunto de todas as IAs utilizadas para o recrutamento e a Júlia, que automatiza o preenchimento de relatórios e timesheets para controles de bancos de horas apenas com a inserção de informações enviadas por áudios de whatsapp, de maneira a facilitar o preenchimento dessas informações e evitar prejuízos às empresas.
“Nossa ideia é que ela se torne uma spin off. Já assinamos nosso primeiro contrato no Brasil com a venda dessa solução para uma das grandes empresas de auditoria do mundo. Não queremos substituir um ERP ou um CRM, queremos atuar logo na fase inicial do registro, por meio do relato ativo do profissional, por voz ou texto. Até o momento não há uma concorrente direta para a Julia”, destaca.
Segundo ela, a plataforma recebe informações em mais de cinco línguas diferentes, apresenta KPIs e dashboard com valor por hora trabalhada, envia mensagens de alerta para profissionais que não lançaram as horas e alertas para o cliente sobre o consumo de horas contratadas e o preenchimento dos dados.
A plataforma pode ser contratável por qualquer empresa e já há um plano para a consolidação do produto no mercado com previsão de lançamentos voltados para o meio de advogados e para consultorias. Há ainda integração com o ERP da SAP e conversas para adaptar 100% da solução para o sistema Microsoft.
“Esse movimento de serviço para produto tem sido a grande inovação do grupo. A IA deve ser usada para tirar o trabalho repetitivo, não para substituir interação humana, no mundo corporativo”, aponta Rosane.
A empresa tem crescido em modelo bootstrapping, ou seja, apenas com recursos próprios. “Não há uma busca ativa por aporte, mas haveria abertura para receber investimento desde que venha como “smart money”, ou seja, acompanhado de networking relevante, e não apenas capital”, reforça.
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A empresa também integra o Scaling Up Program da Unicorn Factory, um programa de cerca de 8 meses com aulas de go-to-market, finanças, liderança, desenvolvimento de produto e área legal/regulatória, além de mentoria especializada, networking e conexão direta com investidores.
Trajetória
Com formação em economia, Rosane Marques sempre trabalhou em empresas de tecnologia mas na área comercial, que incluiu a vinda do Google para o Brasil, além da Oracle, gigante da área. Na sequência, veio a Portugal após a morte dos pais aos 55 anos com planos de se aposentar. O ano era 2020 e a pandemia estragou com os planos dela e do marido de viajar pela Europa. Ela tentou se recolocar no mercado de trabalho, mas encontrou dificuldades por conta da idade. “Era uma dificuldade não ter uma rede de clientes no mercado local, além de ser estrangeira”, diz.
Ao trabalhar em uma empresa de tecnologia, ela enxergou uma possibilidade de abrir uma área de trecrutamento em tecnologia, mas a ideia foi recusada. Como resultado, ela saiu da empresa e criou a ITRRecruiter em setembro de 2021. Hoje, ela comanda uma equipe de mais de 20 pessoas em Portugal e no Brasil, além de outros colaboradores alocados nos clientes.
Rosane afirma que o mercado ainda olha de forma não natural a presença de mulheres no mercado de tecnologia, mas garante não se afetar com isso e diz não haver qualquer tipo de diferenciação por gênero na hora de contratar as mulheres para o setor.
“Temos que oferecer muitos incentivos para que a mulher veja que ela tem um futuro nessa área. A mulher pode fazer qualquer coisa em qualquer área mas esse papel de educação precisa ser feito lá atrás, já com as crianças. É importante termos iniciativas e incentivarmos para que as mulheres participem ainda mais desse mercado”, finaliza.
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