ECONOMIA

Investimentos brasileiros em Portugal atingem recorde de 4,60 bilhões de euros

Valor alcança máxima histórica no segundo trimestre de 2026, enquanto aportes portugueses no Brasil chegam a 3,03 bilhões de euros

Agosto 24, 2026

O montante aportado pelos portugueses no Brasil também cresceu e chegou a 3,03 bilhões de euros, mas ainda está longe do pico histórico alcançado em 2014. Crédito: Pexels

Dados do Banco de Portugal apontaram que os investimentos brasileiros diretos em Portugal atingiram, no segundo trimestre de 2026, o maior nível desde o início da série histórica: 4,60 bilhões de euros, um aumento de 2,16% em relação ao primeiro trimestre deste ano e de 14,17% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Apesar de altas registradas em 2014 e 2018, o valor alcançado no segundo trimestre de 2026 é o maior da série histórica disponível, iniciada em 2008. O volume aplicado pelo Brasil mantém uma trajetória de crescimento desde 2023, e  representa 2,04% do total investido por países de todo o mundo em Portugal ao longo do segundo trimestre.

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Investimentos portugueses no Brasil também crescem

Por outro lado, os aportes portugueses no Brasil também cresceram e chegaram a 3,03 bilhões de euros, um aumento de 2,83% em relação ao trimestre anterior e de 9,55% na comparação com o mesmo período do ano passado. A diferença é que os montantes aplicados pelos portugueses no Brasil têm apresentado oscilações nos últimos anos.

A última vez que Portugal registrou um volume maior de recursos aplicados no Brasil foi no quarto trimestre de 2023. O valor atual também está distante do pico histórico, de 5,6 bilhões de euros, alcançado em 2014.

Os valores aplicados no Brasil representam 3,69% do montante destinado por Portugal ao exterior ao longo do segundo trimestre.

Investimentos diretos são aqueles realizados por um investidor que possui controle ou grau de influência na gestão de uma empresa de outra economia. A categoria inclui aportes de residentes em empresas no exterior, além de operações imobiliárias.

Especialista analisa cenário

Para Carlos Eduardo Oliveira Jr., conselheiro do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP) e presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo, os dados reforçam a atuação empresarial brasileira em Portugal.

O crescimento contínuo observado desde 2023 indica uma tendência estrutural de fortalecimento dos laços econômicos entre os dois países, com foco especial nos setores de tecnologia, serviços, turismo, imobiliário e energia.

“A alta histórica do capital brasileiro aplicado em Portugal acontece principalmente pela combinação entre proximidade cultural e linguística, estabilidade institucional e acesso ao mercado da União Europeia”, afirma o economista. Segundo ele, o mercado português tem se consolidado como uma plataforma estratégica para a internacionalização de empresas brasileiras. O país oferece um ambiente de negócios previsível e integrado ao mercado europeu.

O especialista diz ainda que o crescente interesse de empresas brasileiras em expandir operações na Europa e o aprofundamento das relações bilaterais tendem a sustentar novos fluxos de investimento. “Embora o ritmo de crescimento possa variar conforme o contexto econômico internacional, a tendência de médio prazo continua sendo de expansão da presença brasileira”.

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Já em relação ao Brasil, o economista afirma que o ambiente de negócios brasileiro ainda apresenta desafios que limitam uma expansão mais intensa dos aportes, mas avalia que o aumento recente é um sinal positivo.

Entre os principais fatores estão a complexidade tributária e regulatória, a volatilidade macroeconômica e os custos operacionais relativamente elevados. “Além disso, os investimentos portugueses têm demonstrado maior sensibilidade aos ciclos econômicos brasileiros, o que explica as oscilações observadas nos últimos anos. O crescimento recente sinaliza confiança na economia brasileira”, finalizou.

renan@revistaentrerios.pt