Está pensando em investir em Portugal? As opções disponíveis no país têm algumas diferenças em relação ao mercado brasileiro e podem ser uma alternativa para quem deseja manter parte do patrimônio em euros. O interesse por esse tipo de diversificação também cresce em um cenário de instabilidade geopolítica e de busca por moedas que não sejam o dólar americano.
Quais são as opções de investimento em Portugal?
Os investimentos de renda fixa que costumam atrair os brasileiros, como o Tesouro Direto, são favorecidos atualmente pela taxa básica de juros elevada no país, já que a Selic está em 14%. As condições, porém, são diferentes, e outras possibilidades podem ganhar espaço na composição de uma carteira.
“O investidor português ainda tem uma relação forte com produtos mais conservadores. Os depósitos representam uma parcela importante do patrimônio das famílias”, descreve Otacílio Soares, presidente da Câmara da Indústria e Comércio Luso-Brasileira. Depósitos bancários e poupanças correspondem a 44% dos ativos financeiros, segundo o Banco de Portugal.
Apesar do perfil conservador, o patrimônio das famílias residentes no país mais que dobrou em 20 anos, passando de 172 bilhões de euros em 2005 para 402 bilhões de euros no ano passado, de acordo com a instituição. Nesse período, essa modalidade de aplicação também ganhou espaço.
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Em 2025, o patrimônio dos fundos de investimento chegou a 54,8 bilhões de euros, alta de 7,5 bilhões de euros em relação ao ano anterior. Também houve crescimento nos fundos de obrigações, que investem em títulos de renda fixa, e nos fundos imobiliários. ETFs e fundos de ações são outras alternativas disponíveis.
“Para o brasileiro, existe ainda uma questão adicional: a moeda. Não é apenas escolher um produto pelo retorno esperado. É preciso pensar em euros, risco, liquidez, tributação e objetivo patrimonial, e não apenas no que mais rende’”, aponta Soares.
O que atrai investidores estrangeiros
Nesse cenário, quem busca diversificar o patrimônio na Europa também pode encontrar oportunidades em corporate bonds, títulos de dívida emitidos por empresas; green bonds, títulos destinados a financiar projetos com benefícios ambientais; e private equity, modalidade em que a pessoa compra participação em empresas que não estão listadas na bolsa.
“47% da dívida portuguesa está em mãos estrangeiras e quase metade é de empréstimos oficiais europeus. Também em ESG, 67% é de estrangeiros. Nos fundos em geral, temos 28% de participação deles. Um número relevante”, destaca William Eid Junior, ex-professor da FGV-SP, consultor e sócio fundador da Sociedade Brasileira de Finanças.
Feliphe Pereira, sócio da Portogallo Europa, explica que quem busca oportunidades na Europa concentram suas aplicações na Suíça ou em Luxemburgo, mercados que oferecem uma variedade maior de produtos. Em Portugal, segundo ele, há fundos imobiliários que podem ser utilizados por estrangeiros interessados no Golden Visa.
“As gestoras já montam veículos próprios para dar acesso a investimentos que os habilitem nesse processo. Os fundos de private equity e os voltados para startups são relevantes nesse sentido”, destaca o executivo.
As linhas de crédito com juros mais baixos também podem representar oportunidades para quem pretende investir em Portugal. Os recursos podem ser usados, por exemplo, para abrir ou expandir uma empresa ou para comprar um imóvel, por meio de bancos, instituições de fomento e programas como o Portugal 2030, voltado ao estímulo à inovação.
A consultoria atua para oferecer as soluções que melhor se enquadrem ao perfil e às características de cada cliente, com o objetivo de estruturar uma carteira mais eficiente.
“No caso do residente fiscal brasileiro existem formas mais eficientes para que ele acabe pagando menos impostos do que o habitual. A gente faz uma análise do melhor cenário tanto em termos tributários quanto sucessórios”, diz Pereira.
Algumas instituições também ofertam mecanismos que facilitam o acesso a investimentos em Portugal. Em determinados casos, é possível abrir uma conta mesmo sem residência no país ou NIF, utilizando o passaporte e outros documentos exigidos pela instituição.
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Renan Araújo