No livro O Casal Imperfeito a autora italiana Mariolina Ceriotti Migliarese, psiquiatra, psicoterapeuta, casada desde 1973 e mãe de seis filhos, convida os leitores a serem mais “pé no chão” no que diz respeito aos relacionamentos.
É importante deixar de romantizar tudo e encarar os desafios da vida a dois sem ilusões ou falsas expectativas. Discussões, cansaço e momentos difíceis fazem parte de todas as relações e, quando enfrentados com maturidade e diálogo, podem fortalecer a união.
Para a autora, não existe experiência mais profunda do que a vida de duas pessoas que decidem ficar juntas, mas nada que é duradouro é fácil. Como toda grande jornada, o casamento também tem momentos de dúvida, sofrimento e incerteza. Por isso, é importante entender que crises fazem parte da vida a dois. Elas não são, necessariamente, sinal de fracasso, e não se deve abandonar o barco na primeira dificuldade. Isso, claro, partindo do princípio de que se ama a pessoa que está ao seu lado e se sente feliz com ela.

No Livro O Casal Imperfeito a psicóloga dá dicas de como se relacionar de forma equilibrada para que as relações perdurem no tempo. Crédito: Divulgação
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O livro não pretende ser um manual de autoajuda, mas um convite ao amadurecimento emocional. A autora parte da ideia de que o relacionamento é como um organismo vivo: ele nasce, cresce, passa por dificuldades e alegrias e pode se fortalecer com o tempo ou terminar.
Para ela “os problemas não são as crises, mas a incapacidade de saber lidar com elas”. O livro também quebra o mito de que casais saudáveis não brigam. Conflitos fazem parte do processo. A convivência traz à tona expectativas, fantasias e experiências do passado. Muitos problemas têm mais a ver com traumas do que com a relação em si.
Quando a idealização acaba, o parceiro deixa de ser perfeito e passa a ser real, e é nesse momento que o casamento começa de verdade.
Segundo Migliarese, cada fase da vida exige ajustes no relacionamento. A chegada dos filhos, mudanças no trabalho, doenças, o envelhecimento e as perdas pedem uma nova forma de posicionamento. Ou seja, o casamento precisa ser flexível ao longo do tempo.
Ela também destaca que um casal saudável não perde sua individualidade. Pelo contrário: constrói uma união respeitando as diferenças, os gostos e hobbies de cada um. Amar não é controlar nem manter uma relação de co-dependência.
Muitas crises surgem da tentativa de mudar o parceiro. Quando o casal aceita as diferenças, os conflitos deixam de ser ameaça e passam a ser oportunidades de crescimento.
Hoje em dia, com tudo tão imediato, o compromisso pode parecer ultrapassado. Mas a autora mostra que permanecer é uma escolha que pode ser reconfortante. Não significa aceitar sofrimento abusivo, mas investir na relação quando ainda existe amor e respeito. E neste caso em vez de procurar uma nova relação, por que não renovar ou melhorar a que já existe?
Muita gente acredita que hoje em dia o divórcio é inevitável, que ninguém consegue ficar com a mesma pessoa por muito tempo. Mas o segredo do casamento não é viver em harmonia o tempo todo. Depois das brigas, o mais importante é parar, pensar, se acalmar e recomeçar com novas promessas e boa vontade de mudar o que precisa ser mudado.
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Outro problema, além das expectativas e da vontade de mudar o outro, é que com o passar dos anos o casal tende a se acomodar na relação. Por isso, é importante, de vez em quando, “voltar a namorar”: sair juntos, se reconquistar, seduzir e se deixar seduzir.
Geralmente, após o casamento, as pessoas relaxam consigo mesmas e deixam de investir na relação, e como uma planta, se a relação não é habitualmente “regada” ou alimentada, ela morre.
Em um novo relacionamento, as pessoas tendem a agradar o outro, aceitar experimentar coisas novas, se cuidar mais e até mudar o visual. Então porque não fazer essas mudanças sem se separar, e porque não encorajar o outro a fazer o mesmo. Não é preciso terminar para recomeçar.
A melhor forma de salvar um casamento não é tentar manter tudo igual, mas crescer juntos. Assim como você evolui no trabalho, também pode evoluir na vida a dois.
Em vez de procurar alguém novo, descubra a sua nova versão e a nova versão da pessoa que está ao seu lado. Estamos todos em constante evolução e o caminho é melhor acompanhado!
10 dicas da autora para um relacionamento mais feliz
- Aceitar que crises fazem parte
- Não culpar o outro pelas próprias carências emocionais
- Ter interesses e atividades individuais
- Falar sobre frustrações antes que virem mágoas
- Rever expectativas irreais do início da relação
- Tomar decisões importantes juntos
- Cuidar da relação mesmo depois dos filhos
- Assumir a própria responsabilidade nos conflitos
- Valorizar momentos de conexão emocional
- Renovar o compromisso ao longo do tempo
susana@revistaentrerios.pt