Cinema

O Diabo Veste Prada 2: vale a pena assistir?

O filme discute o jornalismo contemporâneo e acerta em cheio no que sempre foi seu grande trunfo: o figurino

Abril 30, 2026

O Diabo Veste Prada. Crédito: Divulgação
Meryl Streep e Anne Hathaway como Miranda e Andy. Crédito: Divulgação
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Duas décadas depois de conquistar o público e virar referência no universo fashion, O Diabo Veste Prada ganha uma continuação que chega aos cinemas reacendendo a curiosidade em torno de um dos retratos mais icônicos do jornalismo de moda. 

A nova fase acompanha o retorno de Miranda Priestly, mais uma vez interpretada brilhantemente por Meryl Streep, agora inserida em um cenário onde a comunicação mudou radicalmente. Se antes o poder estava concentrado nas páginas impressas, hoje ele pulsa no digital, nos cliques, na IA e na velocidade das redes sociais. “O primeiro filme foi feito um ano antes do lançamento do iPhone. É um mundo completamente diferente”, disse a atriz recentemente em entrevista ao The New York Times. 

E como anda a versão 2.6 de Miranda? A personagem, conhecida por sua postura afiada e comentários ácidos, surge mais contida. Trata-se, na verdade, de uma adaptação aos novos tempos corporativos, em que compliance e responsabilidade também influenciam até as falas mais espontâneas.

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Ao lado dela, Andy Sachs, interpretada por Anne Hathaway, retorna como uma jornalista já consolidada, que, após ser afetada por uma demissão em massa na empresa em que trabalha, recebe o convite para voltar à revista Runway. Desta vez, sua missão é ajudar a reconstruir a imagem de Miranda, em meio às pressões e ao cancelamentos das redes sociais.

O roteiro aposta na ideia de atualização. Miranda tentando lidar com o celular, com métricas digitais e com a lógica da viralização rende algumas cenas divertidas, ainda que sem grande inovação. Há uma sensação constante de repetição, como se a história orbitasse o que já foi apresentado lá atrás, agora com um verniz contemporâneo.

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Por outro lado, o filme acerta em cheio no que sempre foi seu grande trunfo: o figurino. As produções são impecáveis, reafirmando o longa como vitrine de tendências e desejos. Participações especiais ajudam a dar frescor à narrativa, com nomes como Marc Jacobs e Lady Gaga.

E vale a pena assistir? A continuação não reinventa a história, mas encontra valor na nostalgia e na força de personagens que marcaram uma geração. Para quem acompanhou a ascensão de Andy e tem memória afetiva com o universo da Runway, a experiência funciona como um reencontro. Não é um filme que surpreende, mas entretém e reforça como o tempo transformou tanto a moda quanto o jornalismo. E como diria Miranda, no tom que continua inconfundível: That’s all.

renata@revistaentrerios.pt