Energia

Portugal recebe comitiva brasileira para discutir energia eólica offshore; setor pode movimentar R$ 900 bilhões

País europeu é referência no setor e em 2020 fundou o projeto WindFloatAtlantic

Abril 20, 2026

Projeto WidnFloat Atlantic, em Portugal. Crédito: Divulgação

Portugal tornou-se, nos últimos dias, ponto de encontro para discutir o avanço da energia eólica offshore no Brasil, setor estratégico que aposta na geração de energia em alto-mar. Empresários, representantes de associações, do governo federal e estaduais, além de universidades, participaram das agendas voltadas ao tema. Entre as autoridades presentes, esteve o senador Fabiano Contarato, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado.

O encontro surgiu em um momento em que o Brasil acabou de aprovar um marco legal para o setor, por meio da Lei nº 15.097/2025, e, por meio do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), no mês de abril, definiu as primeiras diretrizes para regulamentar as regras para a sua execução no país.

Com base nisso, no último dia 7, também foi lançada a Coalizão Eólica Marinha, que reúne os diversos atores envolvidos com o segmento.

A previsão do Banco Mundial é que, segundo o Banco Mundial, até 2050, poderão ser movimentados R$ 900 bilhões na economia brasileira com as atividades relacionadas à indústria.

Portugal é referência no assunto

Em 2020, o país fundou o projeto WindFloatAtlantic e já gerou mais de 409 gigawatts (GW) de energia eólica em seu parque eólico flutuante localizado em Viana do Castelo, na região norte do país. Esse foi o primeiro projeto do tipo localizado na Europa continental. Portugal ainda tem projetos para outros dois parques eólicos, uma na mesma cidade e outro em Figueira da Foz, mas ainda em fase de projeto.

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Comitiva brasileira visitou produção em eólica offshore em Viana do Castelo, norte de Portugal. Crédito: Divulgação

A delegação brasileira que esteve no país europeu também realizou uma visita ao WindFloat Atlantic, à principal conferência europeia de energia eólica, a WindEurope, e também à sede do Global Wind Energy Council (GWEC), organização mundial do setor de energia eólica com mais de 1500 empresas de mais de 80 países como membros e que possui sede em Lisboa.

Apesar de ser expoente por conta do projeto em Viana do Castelo, o cenário da indústria eólica offshore ainda é tímido. Segundo a WindEurope, a Europa possui a capacidade de produção de 291 GW dessa energia, sendo 254 GW em terra (onshore) e apenas 37 GW no mar (offshore). Em todo o mundo a produção das offshore é de 83 GW em 19 países.

O setor olha para esse mercado com uma perspectiva otimista e destaca que o crescimento médio anual nos últimos 10 anos foi de 10% e deve avançar entre 15 e 28% para a próxima década. Além disso, em maio do ano passado, havia mais 48GW em construção.

Para Blackwell, é essencial ampliar a capacidade das eólicas offshore em um momento em que a Europa passa por uma necessidade de aumentar a produção de energia, especialmente por conta das guerras da Ucrânia e do Irã.

“Essa é uma fonte de energia limpa com grandes projetos que aumentam a produção em larga escala e que também é bastante competitiva em relação a outras fontes. Ela pode ser uma fonte para diminuir a dependência do petróleo, por exemplo”, afirma ele.

Segundo ele, Brasil e Portugal possuem grande capacidade de aumentar essa produção. “Portugal já produz a maior parte de sua energia com fontes renováveis, é um país marítimo, com muitos ventos do Oceano Atlântico e que já possui um grande projeto. Já o Brasil possui um litoral muito grande com águas não muito profundas, com uma indústria eólica forte e bons ventos”, analisou.

Roberta Cox, diretora-presidente da Coalização Eólica Marinha (CEM), destaca que o Brasil deu um passo importante com a publicação das diretrizes sobre o que deve conter no decreto regulamentador do Ministério de Minas e Energia.

De acordo com ela, apenas com o decreto será possível avaliar a viabilidade econômica, técnica e ambiental para que os primeiros projetos possam sair do papel. As expectativas quanto ao potencial do setor, porém, são grandes.

Roberta Cox, presidente da Coalizão Eólica Marinha. Crédito: Divulgação

O Brasil tem um potencial enorme de 1.200 GWh de energia. Para se ter uma ideia, hoje, com todas as fontes de energia temos 240 GWh. Por isso esse decreto regulamentador é tão importante, para que a gente entenda quais são as melhores áreas, entender a viabilidade e o que precisamos endereçar para seguir com esses projetos”, ressalta.

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“As eólicas offshore podem ser uma solução para a dependência que existe dos países europeus com óleo e gás. É muito importante conseguir descarbonizar e ampliar a utilização de energias renováveis e as eólicas offshore tem uma capacidade gigantesca de produção de energia, além de serem um diferencial para a segurança energética que o mundo precisa avançar”, explicou.

Durante a missão, os governos do Rio Grande do Sul e do Rio Grande do Norte também assinaram seus termos de compromisso para a adesão à Coalizão Marinha Eólica, se juntando ao Rio de Janeiro entre os estados participantes, o que os possibilitará participar das discussões técnicas e estratégias para o setor.

Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica) explica que o Brasil investiu fortemente na produção de energia renovável a ponto de ter uma produção maior que a demanda necessária, o que pode transmitir uma percepção de crise para o setor.

Presidente da ABEEólica destacou a importância das energias renováveis. Crédito: Divulgação

Segundo ela, porém, em um contexto de crise de petróleo e de novas formas de energia, esse poderá ser um grande diferencial para o Brasil.

“A busca por energias renováveis é uma estratégia dominante para qualquer economia e o avanço do Brasil nessa área foi acontecendo de forma natural ao longo do tempo. E esse é o caminho para a estabilidade econômica de qualquer governo soberano”, destaca.

renan@revistaentrerios.pt