“Os brasileiros sempre foram muito caseiros, era uma economia muito fechada. Mas nos últimos anos nunca se falou tanto em internacionalização”. A frase de Feliphe Pereira, sócio da Portogallo Familly Office resume o sentimento da gestora de recursos que tem percebido um movimento muito sólido de brasileiros que, cada vez mais, têm buscado a Europa e em especial Portugal para morar e investir.
“Por uma busca por mais segurança, os riscos em relação ao Brasil com questões políticas e a diminuição na atratividade em relação aos Estados Unidos, uma das principais saídas é olhar para a Europa. E Portugal acaba sendo a porta de entrada para os empresários no continente”, afirma.
Há seis anos, a Portogallo Familly Office, que possui 20 anos de atuação e está presente em São Paulo e em Tubarão (Santa Catarina), abriu a filial Portogallo Europa, em Lisboa. A ideia foi aproveitar a onda de brasileiros, em especial de famílias investidoras e de empresários, que chegavam a Portugal, para oferecer a gestão de patrimônio e novas oportunidades de negócios ampliando a conexão entre Brasil e Europa. “Estando em Portugal a gente pode acompanhar os dois mundos e oferecer as melhores estratégias. Para a gente é uma vantagem competitiva”, define.
Além da gestão de investimentos, a empresa também oferece apoio para questões jurídicas, documentais, tributárias, além de pontos práticos do dia a dia como onde morar e onde os filhos podem estudar. “As famílias brasileiras estão ficando cada vez mais internacionalizadas. Hoje é relativamente comum as famílias de alta renda ter filhos estudando fora e esse é um movimento natural em praticamente todas as faixas da pirâmide social”, ressalta.
Também há o apoio para que os empresários possam mapear o mercado, adaptar seus produtos e formatar seus negócios no país. Hoje, a maioria dos empresários que chega a Portugal busca investir nos ramos imobiliário e de tecnologia. Com a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, Feliphe acredita que as oportunidades e o fluxo de negócios e investimentos deve se ampliar ainda mais.
“Não é só pegar o produto que a pessoa tem no Brasil e jogar em Portugal. Ele tem que transformar em uma oferta atraente para um público diferente. É um outro mundo e os empresários tem buscado se aprimorar e conhecer mais sobre esses novos mercados”, analisa.
Visando atender esse público que busca mais informações e quer se preparar para expandir os negócios no âmbito do acordo, a Portogallo lançou o Programa de Formação em Corporate Governance, uma iniciativa que visa preparar os conselheiros para colaborar nas atuações das empresas entre Brasil e Europa. O curso é promovido em parceria com a Board Academy, escola brasileira que já formou mais de 15 mil pessoas.
“O conselheiro não é o CEO que toma a decisão, mas é o grupo que está apoiando e validando essas decisões de maneira mais estratégica. O conselho deve tomar as decisões para que a empresa se perpetue, tenha vantagens competitivas e possa ser mais lucrativa e sustentável. Ele calcula os riscos para se encaixar em um determinado mercado e deve tomar as decisões olhando para frente”, define.
Em geral, os conselhos são mais comuns para grandes empresas ou para as médias que estão começando a crescer ou estão passando por um momento de mudança no comando. Recentemente, porém, até mesmo startups têm buscado conselheiros para a tomada de decisões.
Feliphe explica que a formação oferece disciplinas como estratégia, governança, tecnologia, ESG, finanças, estrutura de capital, entre outras. A ideia, segundo ele, é oferecer uma visão completa entre os dois países. “A ideia é transmitir as diferenças entre as regras empresariais e de governança que se aplicam em Portugal e no resto da Europa e oferecer temas que são úteis para as tomadas de decisões dos empresários brasileiros”, pondera ele, ressaltando a importância de oferecer uma visão integrada entre as duas realidades.
A formação oferecerá nomes brasileiros e portugueses como Eduardo Gomes e Udo Gierlich, respectivamente, CEO e diretor da Board Academyu, Paulo Lourosa, sócio da Crowe Advisory Portugal, Rui Lourenço Helena, head de auditoria da BDO Portugal, uma das maiores empresas de auditoria do mundo, e Marianela Mirpuri, presidente da Fundação Mirpuri.
O programa terá um período online entre setembro e outubro, com aulas ao vivo em sete módulos. Em novembro, haverá um módulo presencial em Lisboa ao longo de uma semana.
Para Pereira, a iniciativa também pode ser importante para os próprios empresários portugueses que também terão que se adaptar a uma nova realidade com o acordo Mercosul-UE.
“Assim como temos brasileiros querendo expandir seus negócios para Portugal, também há portugueses interessados em escalar e expandir para o Brasil. Muitos negócios vão conmeçar a entrar por Portugal e isso pode representar uma oportunidade ou um risco. Se as pessoas não se prepararem agora, na hora que houver vários concorrentes por aqui tudo ficará mais difícil”, aponta.
Confira mais informações sobre a formação aqui.
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