IMIGRAÇÃO

Brasil e Portugal estão entre os melhores países para expatriados e superam destinos como EUA, França e Reino Unido

Ranking da Internations considera a facilidade de se integrar à população, a cultura e a receptividade como fatores tão importantes quanto o mercado de trabalho

Agosto 21, 2026

Ranking da Internations considera a facilidade de se integrar à população, a cultura e a receptividade como fatores tão importantes quanto o mercado de trabalho. Crédito: Lusa

O estudo Expat Insider 2026, realizado pela InterNations, plataforma voltada à integração de estrangeiros em diferentes cidades do mundo, colocou Portugal na oitava posição entre os 31 países avaliados como destinos para expatriados. O Brasil ficou ainda melhor colocado, na quinta posição do ranking.

Nos primeiros quatro lugares estão Panamá, Mexico, Tailândia e Emirados Árabes Unidos, enquanto países considerados muito desenvolvidos estão nas últimas posições como Canadá, Reino Unido, Alemanha e Noruega. Outros tradicionais destinos de muitos imigrantes como Estados Unidos, França, Itália e Suíça se posicionam nas posições intermediárias.

As razões para isso se dão por conta dos critérios estabelecidos pela pesquisa e alguns deles aproximam Brasil e Portugal.

O Brasil apresenta posições de grande destaque entre os critérios apontados pelo ranking como a “Facilidade de se estabelecer” (4º lugar), o que inclui a facilidade de fazer amigos, cultura e receptividade local, finanças pessoais (6º) e elementos essenciais (10º), como habitação e vida digital. Por outro lado, quando se fala em mercado de trabalho o país está nas últimas posições (24º), assim como qualidade de vida (23º), que inclui bons índices como opções de lazer e saúde, mas outros ruins como viagens e trânsito e segurança.

O perfil dos estrangeiros no Brasil mostra que 79% deles estão satisfeitos com a vida no país e 37% estão completamente felizes. O país ainda está no segundo lugar em relação à receptividade dos locais em relação aos estrangeiros, um fator avaliado positivamente por 79% dos entrevistados (contra 61% da média global). Além disso, 53% concordam que se sentem bem-vindos no país. Em relação ao futuro, os estrangeiros estão divididos, com 26% querendo viver para sempre no Brasil, 26% pretendendo deixar o país no futuro e 34% ainda não sabem.

LEIA MAIS: Portugal chega a 11,4 milhões de habitantes e tem quase 1,6 milhão de estrangeiros

O Brasil conquista os expatriados com moradores locais acolhedores, natureza deslumbrante e custo de vida acessível, embora a segurança e a mobilidade continuem sendo preocupações reais”, diz trecho do relatório. Confira os números do Brasil aqui.

Portugal: facilidade de fazer amigos e receptividade local

Já Portugal se destaca em relação às finanças pessoais (4º), “Facilidade de se estabelecer” (7º lugar), o que inclui a facilidade de fazer amigos, cultura e receptividade local; e qualidade de vida (11º), com destaques para meio ambiente e clima, segurança e opções de lazer. O país se posiciona mal entre os elementos essenciais para expatriados (23º), como vida digital e tópicos administrativos, e em relação ao mercado de trabalho no exterior (29º), com más avaliações entre as possibilidades de carreira, salário e cultura de trabalho e satisfação. O país é o pior ranqueado nos quesitos de lidar com autoridades locais e um dos piores no quesito burocracia.

Ao todo, 61% dos expatriados avaliam como positivo o custo de vida geral e cerca de 76% consideram que a renda familiar disponível é suficiente para ter uma vida confortável. Mas entre o público pesquisado está um público específico: o de aposentados. Cerca de 20% se mudou para Portugal especificamente para se aposentar e 41% dos entrevistados já estão aposentados (bem mais do que a média global de 14%). Entre as possibilidades para o futuro, 39% dos estrangeiros querem viver para sempre no país, 36% ainda não sabem e 9% querem deixar o país nos próximos cinco anos.

Portugal encanta os expatriados com baixo custo de vida, muito sol e moradores locais acolhedores, mas seu mercado de trabalho e sua burocracia estão entre os piores do mundo”, diz trecho do relatório. Confira os números de Portugal aqui.

Quais foram os critérios da pesquisa?

O grande ponto do ranking da Internations é levar em consideração os diversos aspectos para a vida dos residentes estrangeiros, indo além de questões financeiras ou profissionais, por exemplo. Portugal e Brasil estão entre países mal posicionados quando o assunto é o mercado de trabalho (29º e 24º lugares, respectivamente), o que envolve questões relacionadas a vagas, possibilidades de crescimento de carreira, salários, benefícios e outros quesitos.

Mas por outro lado, a facilidade de se adaptar à realidade local, conhecer a cultura e fazer novas amizades são destaques para ambos os países (Brasil em 4º e Portugal em 7º). Os países estão em posições opostas quando se trata de qualidade de vida (Portugal melhor posicionado) e com os elementos essenciais para expatriados (com Brasil melhor posicionado).

A plataforma também aponta que a pesquisa foi feita entre fevereiro e março desse ano, o que pode influenciar nas opiniões sobre alguns países como é o caso dos Emirados Árabes Unidos.

O que derruba alguns países tradicionais e vistos como ótimos locais para viver como Alemanha, Noruega, Reino Unido, Canadá e Suécia são fatores como a dificuldade para fazer amigos, socializar e se integrar à cultura local (incluindo a sensação de “se sentir em casa”), aos altos custos de vida, incluindo a habitação, por exemplo. A burocracia, a falta de digitalização e a dificuldade para acessar alguns serviços públicos, além da falta de opções de lazer e até mesmo a língua também estão entre alguns dos pontos negativos. Já em países como a Turquia, a dificuldade do mercado de trabalho e as instabilidades econômicas também pesaram para a má classificação.

LEIA MAIS: BTL 2026: campanha da Embratur quer trazer sensações para estimular a ida de estrangeiros ao Brasil

Considerando todos esses fatores, o Top 10 fica com três países latinoamericanos, três do Sudeste Asiático, um no Oriente Médio e três europeus.

  • Panamá
  • México
  • Tailândia
  • Emirados Árabes Unidos
  • Brasil
  • Espanha
  • Singapura
  • Portugal
  • Malasia
  • Luxemburgo

Já entre os dez últimos estão algumas surpresas, com a presença de oito países europeus, um asiático e um da América do Norte:

  1. Suíça
  2. Áustria
  3. Itália
  4. Chéquia
  5. Suécia
  6. Canadá
  7. Reino Unido
  8. Turquia
  9. Alemanha
  10. Noruega

Embora países como Panamá, México e Tailândia sejam destaques do ranking, eles estão longe de estar entre os países que mais recebem residentes estrangeiros. Nesse quesito, o top 5 fica com Alemanha, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Reino Unido, alguns deles que estão entre os piores do ranking. Já entre os países que mais têm seus cidadãos vivendo fora do país estão Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Itália e Índia.

renan@revistaentrerios.pt

renan@revistaentrerios.pt