Elas podem se chamar Antônia, Luana, Carolina ou qualquer outro nome. São brasileiras e deixaram o país para empreender em Portugal. Algumas tornaram-se famosas, têm milhões de seguidores nas redes sociais e comandam negócios variados. Outras são anônimas, ganham dezenas ou até centenas de milhares de euros e construíram empresas sólidas. Qual é o elo entre elas? Encontraram no empreendedorismo uma forma de conciliar dois dos valores mais fundamentais para a mulher moderna: independência financeira e presença na vida dos filhos.
A autonomia passou a ser mais valorizada do que a estabilidade de um emprego tradicional. Atravessaram o mar com o propósito de gerir o próprio tempo, construir patrimônio e tomar decisões. Nem de longe desconfiavam que fariam parte de um movimento capaz de modificar o perfil do empreendedorismo estrangeiro em Portugal. O resultado é que, hoje, representam cerca de 75% dos novos negócios
iniciados por brasileiros no país.
Ao contrário do que muitos imaginam, a decisão de emigrar nem sempre está associada à falta de oportunidades no Brasil. Em muitos casos, é motivada pelo desejo de escapar das limitações impostas por carreiras e contratos tradicionais, pela rigidez dos horários e pela sensação de que um contracheque nem sempre se traduz em qualidade de vida. A busca não era apenas por renda, mas por segurança, previsibilidade e equilíbrio — ativos que nem mesmo os salários mais altos conseguem garantir atualmente em algumas cidades brasileiras.
Uma pesquisa informal da coluna aponta características protagonistas no processo de empreendedorismo de uma imigrante: descobrir lacunas para criar novas atividades e somar, em vez de competir, em iniciativas que não são recentes, mas que podem ser expandidas.
O mercado português valoriza fortemente a especialização. As mulheres destacam se nesse quesito, atuando em áreas como marketing digital, gastronomia, estética, consultoria, imobiliário, turismo, relocation, eventos, serviços especializados e entretenimento.
Entre sonhos, planilhas e saudades, Antônias, Luanas e Carolinas transformam incertezas em oportunidades e provam que recomeçar não significa voltar ao ponto de partida. Pelo contrário. Empreender pode tornar-se o caminho para conquistar algo que parecia cada vez mais raro no mundo contemporâneo: liberdade para trabalhar, crescer e, ao mesmo tempo, estar presente onde realmente importa.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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