GASTRONOMIA PREMIADA

Como é jantar em um restaurante Michelin cercado pela natureza? Fomos descobrir!

O Mesa de Lemos, em Viseu, tem no menu de verão uma experiência que reúne sabores do Dão, vinhos, arquitetura e paisagem

Agosto 3, 2026

Mesa de Lemos. Crédito: Divulgação
Como é jantar em um restaurante Michelin cercado pela natureza? Fomos descobrir! Crédito: Divulgação

Há lugares onde o almoço começa muito antes da primeira garfada. A estrada que conduz à Quinta de Lemos, em Silgueiros, Viseu, já anuncia uma mudança de ritmo: o casario vai ficando para trás, surgem as vinhas, o granito e uma paisagem que parece pedir silêncio. No centro da propriedade, o edifício desenhado por Carvalho Araújo transforma a refeição numa experiência que também passa pela arquitetura e pela relação permanente com a natureza. Foi até lá que a EntreRios viajou para conhecer o novo menu de verão do Mesa de Lemos, restaurante com uma estrela Michelin.

Inaugurado em 2014, o restaurante nasceu como uma extensão da filosofia da Quinta, construída em torno do território, da sazonalidade e dos produtos portugueses. À frente da cozinha está Diogo Rocha, natural da região, que trabalha muitos com ingredientes produzidos na própria propriedade, como temperos da horta, o azeite e os vinhos. A cozinha parte do Dão, mas não fica presa a uma fronteira geográfica. “Vocês vêm aqui e se sentem aqui, não é um restaurante de Lisboa, Porto. Nosso território é regional, não é português”, explica o chef.

 Mesa de Lemos. Crédito: Divulgação
Mesa de Lemos fica em Silgueiros. Crédito: Divulgação

A frase ajuda a perceber o que se encontra quando se chega à casa. Não se trata apenas de sentar à mesa para provar um menu de degustação. A experiência começa no espaço, passa pela paisagem que se vê através das grandes superfícies envidraçadas e continua no prato, onde os ingredientes da região ganham novas formas.

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O menu de verão

No verão, a cozinha de Rocha segue o que a propriedade e os produtores da região têm disponível. Há duas opções de degustação: o Menu do Chef, com oito momentos, e o Menu de Lemos, com seis, ambos com possibilidade de harmonização com os vinhos da casa. A composição muda entre diferentes visitas, mas o chef garante que o bacalhau e cabrito aparecem o ano todo.

Gelado de pinhão torrado, flor de sal, raspa de lima, tomilho e pinhão. Crédito: Divulgação
Gelado de pinhão torrado, flor de sal, raspa de lima, tomilho e pinhão. Crédito: Divulgação

Em nossa experiência, a refeição começou com um gelado de pinhão torrado, flor de sal, raspa de lima, tomilho e pinhão, seguido por uma sequência de snacks. Depois chegaram a broa de milho e o pão de massa mãe de centeio, servido com manteiga do Pico e azeite da casa.

O bacalhau da Islândia chegou acompanhado de estufado de sames e brócolis. Já o cabrito, preparado em baixa temperatura, veio com berinjela, cogumelos assados, molho de mostarda, laranja e aipo.

Para quem não come carne, o restaurante também oferece um menu totalmente vegetariano, seguindo a mesma proposta dos pratos principais. A berinjela, por exemplo, assume o lugar do cabrito e recebe um preparo pensado para valorizar o ingrediente.

Gelado e telha de ananás dos Açores e bolacha de leite com espuma de queijo amanteigado Serra da Estrela. Crédito: Divulgação
Gelado e telha de ananás dos Açores e bolacha de leite com espuma de queijo amanteigado Serra da Estrela. Crédito: Divulgação

A parte doce manteve a ligação aos produtos portugueses. Gelado e telha de ananás dos Açores, chutney de ananás e raspa de laranja além de uma bolacha de leite com espuma de queijo amanteigado DOP Serra da Estrela, cardamomo, baunilha e anis. Tudo acompanhado, claro, pelos vinhos da Quinta de Lemos.

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Além da mesa: azeite, vinho e cerâmica

A visita à Quinta de Lemos vai bem além da mesa. Dá para conhecer a adega, provar os vinhos da casa e descobrir também o azeite produzido ali mesmo. Há dez anos, a propriedade mantém um lagar próprio e sete hectares de olival tradicional, onde crescem cerca de cinco mil oliveiras. São três rótulos: Galega, a variedade mais característica do Dão e a de maior produção; Arbequina, com notas de ervas frescas e aroma que lembra tomate; e Cobrançosa, com notas de amêndoas e um toque fresco de hortelã.

Os azeites da casa. Crédito: Divulgação
Os azeites da casa. Crédito: Divulgação

A arte também faz parte da experiência. Geraldine de Lemos, filha do fundador, descobriu a cerâmica há cerca de seis anos e montou seu ateliê na propriedade, onde cria algumas das peças usadas no restaurante de Rocha. O trabalho tem a natureza como uma das principais fontes de inspiração.

A quinta oferece ainda degustações de vinhos, visitas à adega e passeios pela propriedade, que podem ser combinados com provas de azeite, tábuas de queijos e embutidos.

renata@revistaentrerios.pt

Renata Telles
renata@revistaentrerios.pt