SAÚDE INTEGRATIVA

Como encontrar terapias complementares em Portugal? Conheça a Kuralis

Plataforma reúne profissionais verificados, eventos, workshops e prepara expansão para o Brasil

Agosto 10, 2026

Kuralis, plataforma portuguesa de saúde integrativa. Crédito: Unsplash

Encontrar um terapeuta, um professor de ioga ou um retiro de meditação em Portugal ainda pode ser uma tarefa mais difícil do que parece. Embora o interesse por práticas voltadas ao bem-estar e à saúde integrativa tenha crescido significativamente nos últimos anos, boa parte dos profissionais continua divulgando seu trabalho quase exclusivamente pelas redes sociais. Para quem busca atendimento, isso significa navegar por milhares de perfis, recomendações e publicações, sem um espaço que concentre informações organizadas e confiáveis. Foi para preencher essa lacuna que surgiu a Kuralis, plataforma digital portuguesa dedicada à saúde, ao bem-estar e às terapias complementares.

A proposta é reunir, em um único ambiente, profissionais verificados, eventos, workshops, escolas de formação e espaços destinados a práticas integrativas. Em vez de substituir o contato entre terapeuta e cliente, a Kuralis funciona como uma ponte entre quem oferece esses serviços e quem procura alternativas voltadas ao cuidado físico, mental e emocional. Depois que o usuário encontra o profissional, o atendimento é combinado diretamente entre as partes, seja de forma presencial ou online.

A ideia nasceu da percepção de que um dos mercados que mais crescem na Europa ainda carecia de uma estrutura digital capaz de organizar a oferta de serviços. Segundo a empresa, terapeutas, massagistas, professores de ioga e organizadores de retiros estão cada vez mais presentes em Portugal, mas continuam dependentes de plataformas criadas para entretenimento, e não para facilitar a busca por especialistas. Esse cenário dificulta tanto a visibilidade de quem atua na área quanto o acesso de quem procura essas práticas.

Para o cofundador da Kuralis, Mário Ferreira, esse foi justamente o ponto de partida para desenvolver a plataforma.

“O Instagram foi construído para entretenimento e visibilidade — não para procurar um profissional quando há essa necessidade. Quando procuras um terapeuta no Instagram, estás a navegar num mar de conteúdo sem filtros, sem verificação e sem organização por especialidade ou localização. A Kuralis foi construída com uma intenção completamente diferente: ser o lugar onde quem precisa encontra quem pode ajudar, de forma direta, organizada e com profissionais verificados.”

Os cofundadores da Kuralis, Mário Ferreira e Pedro Santos (Foto: acervo pessoal)

Segundo Ferreira, a intenção nunca foi criar apenas mais um diretório de profissionais. A proposta é concentrar diferentes serviços ligados ao universo da saúde integrativa, permitindo que usuários encontrem terapeutas, professores, retiros, workshops, escolas de formação e espaços para essas atividades.

“Centralizamos não só profissionais, mas também eventos, espaços para práticas holísticas e escolas de formação, o universo completo do bem-estar num só lugar.”

“Há milhares de pessoas em Portugal que procuram algo — equilíbrio, cura, crescimento — e não sabem onde encontrar. E há milhares de profissionais incríveis que podem ajudá-las, mas estão invisíveis. A Kuralis existe para ligar estes dois mundos.”

Curadoria para um mercado em expansão

O crescimento das terapias complementares também trouxe um desafio: separar profissionais qualificados do volume crescente de informações disponíveis nas redes sociais. Em um ambiente marcado por vídeos curtos, recomendações informais e algoritmos, encontrar alguém com formação compatível nem sempre é uma tarefa simples.

Para Ferreira, essa mudança de comportamento aumentou a demanda por transparência e credibilidade no setor.

“O excesso de informação nas redes criou confusão e, com ela, uma necessidade crescente de curadoria e credibilidade. As pessoas querem saber com quem estão a trabalhar, que formação têm, que resultados proporcionam.”

Como resposta, a plataforma afirma adotar um processo de análise antes da aprovação dos profissionais cadastrados.

“Na Kuralis verificamos todos os perfis antes de os aprovar — analisamos as redes sociais, o historial profissional e, quando aplicável, os certificados de formação. Não é um processo perfeito, mas é um compromisso com a qualidade que o mercado está a exigir cada vez mais.”

Kuralis, plataforma digital dedicada à saúde, bem-estar e terapias complementares. Crédito: Divulgação

Em cerca de 80 dias de operação em Portugal, a Kuralis alcançou 125 profissionais ativos, 58 eventos publicados, sete escolas de formação cadastradas e 278 utilizadores registrados, números que, segundo a empresa, refletem a demanda por um ambiente especializado.

Uma ideia que nasceu de uma necessidade real

A história da Kuralis começou antes mesmo do lançamento em Portugal. A empresa foi fundada na Suíça, em setembro de 2025, pelo empreendedor Pedro Santos, que transformou uma experiência pessoal em um projeto voltado à organização do mercado de saúde integrativa.

“A Kuralis nasceu de uma necessidade muito pessoal. Vivo na Suíça há vários anos e, quando procurei um terapeuta pela primeira vez, percebi que não havia forma fácil de encontrar alguém de confiança na minha área. Tudo estava disperso, sem organização, sem referências claras. Foi aí que percebi que este problema não era só meu — era de milhões de pessoas. E que ninguém tinha ainda construído a solução certa.”

A constatação deu origem à plataforma, que começou a operar na Suíça e, poucos meses depois, desembarcou em Portugal. Agora, a empresa prepara uma nova etapa de expansão para Espanha, França e Brasil.

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Para Ferreira, cada um desses mercados apresenta características próprias, tanto no grau de maturidade quanto na forma como a população encara as terapias complementares.

“Na Suíça, onde nascemos, o mercado é mais maduro e institucionalizado. As pessoas procuram terapias complementares com naturalidade, muitas vezes em paralelo com a medicina convencional, até porque os seguros de saúde dão essa possibilidade.”

Em Portugal, o cenário ainda está em consolidação, mas demonstra mudanças significativas, sobretudo entre as gerações mais jovens e nos grandes centros urbanos.

“Estamos a assistir a uma mudança de geração. Há uma curiosidade crescente, especialmente nas cidades, e uma abertura que não existia há uns anos.”

O Brasil, por sua vez, aparece como uma das principais apostas da empresa.

“O Brasil é o mercado que mais nos entusiasma. Há uma relação cultural muito profunda com o bem-estar, a espiritualidade e as práticas integrativas, e uma comunidade enorme de praticantes e profissionais. A língua partilhada com Portugal facilita muito a nossa entrada nesse mercado.”

O olhar de quem vive o setor

A percepção de que o setor precisava de um ambiente especializado também é compartilhada por quem atua diariamente na área. Entre os profissionais que aderiram à Kuralis está a professora de yoga Juliana Dalle, que desenvolve seu trabalho unindo yoga, arte e autoconhecimento.

“Minha comunidade foi construída ao longo dos anos por meio do contato direto com as pessoas, das aulas, das experiências e das trocas que surgiram a partir do meu trabalho com yoga e arte. Quando conheci a Kuralis, fez sentido integrar a plataforma porque encontrei uma oportunidade de levar o meu trabalho para mais pessoas que já estão buscando práticas ligadas ao bem-estar, ao autoconhecimento e a uma vida com mais equilíbrio e presença”, afirma.

Professora de yoga Juliana Dalle. Reprodução/Instagram @julianadalle

A professora ressalta que redes sociais como o Instagram continuam importantes para divulgar conteúdos, mas não substituem um ambiente voltado especificamente à conexão entre profissionais e pessoas interessadas nessas práticas.

“As redes sociais são ferramentas importantes para comunicar, inspirar e criar proximidade, mas funcionam em um ritmo muito acelerado e, muitas vezes, o conteúdo acaba se perdendo em meio a tantos estímulos. Uma plataforma especializada cria um espaço onde as pessoas chegam com uma intenção mais consciente: encontrar uma prática, um profissional ou uma experiência que possa contribuir para o seu momento de vida e para o seu processo de transformação pessoal”, diz.

As consultas, aulas e demais atividades não acontecem dentro da Kuralis, mas são organizadas diretamente entre cliente e profissional, de acordo com as características de cada serviço. Essa autonomia, segundo Juliana, preserva a essência do trabalho desenvolvido por cada terapeuta ou professor.

“A Kuralis tem esse papel de aproximar pessoas e profissionais, facilitando que cada aluno encontre uma prática e um profissional que estejam alinhados com o seu momento e com as suas necessidades. A partir daí, cada profissional constrói a sua própria experiência, seja ela presencial ou online, mantendo a essência e a qualidade da sua prática”, explica.

Tecnologia para aproximar pessoas

Se a transformação digital modificou a maneira como as pessoas consomem informação e contratam serviços, também mudou a forma como muitos profissionais do bem-estar se relacionam com seus alunos. Para Juliana, entretanto, a tecnologia não precisa representar um distanciamento das relações humanas.

“Para mim, a questão está na forma como escolhemos nos relacionar com a tecnologia. O ambiente digital pode ser um espaço de distração e excesso de informação, mas também pode se transformar em uma ferramenta de conexão, aprendizado e aproximação com práticas que promovem mais consciência e autoconhecimento”, afirma.

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“Nas minhas práticas, mesmo quando acontecem no formato online, faço questão de criar um espaço de presença, liberdade, escuta e conforto. Acredito que a conexão humana não depende apenas do espaço físico, mas da intenção e da forma como conduzimos esse encontro. É importante que cada aluno se sinta acolhido, seguro e à vontade para vivenciar a prática de uma maneira verdadeira”, diz.

fernanda@revistaentrerios.pt

Fernanda Baldioti
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