O eclipse solar vem aí! Na quarta-feira (12), Portugal estará entre os melhores lugares do mundo para acompanhar um dos eventos astronômicos mais aguardados do planeta. Em Lisboa, ele começará por volta das 18h39 e atingirá o seu auge às 19h36, próximo a 94,5% de cobertura. Este será o mais significativo observado no país desde 1900 e o único eclipse totalmente visível em território português em mais de um século.

Milhares de pessoas já planejam viagens para presenciá-lo de perto, caso da especialista no tema, a astrônoma Maria Luísa Almeida, do NUCLIO – Núcleo Interativo de Astronomia e Inovação em Educação. Residente em Lisboa, ela vai viajar com a família até à Corunha, em Espanha, onde a visibilidade será de 100%. “A sensação é impressionante mesmo sendo ao pôr do sol; se fosse mais cedo o impacto seria ainda maior”. E o mais interessante, segundo Maria Luísa, é que durante um evento astronômico assim toda a natureza reage ao fenômeno. “São cerca de dois minutos na escuridão, os animais ficam em silêncio e até sentimos o arrefecimento da temperatura”.
Como o eclipse será visto em Portugal?

Em Portugal Continental, a lua encobrirá entre 92% e 99% do disco solar, proporcionando um eclipse parcial muito profundo para a maior parte da população.
A única região onde será possível vê-lo totalmente é uma pequena área do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança, próximo à fronteira com a Espanha. Ali, por alguns instantes, o Sol desaparecerá completamente. Mas, segundo Maria Luísa, “só os residentes e especialistas poderão aceder ao parque, por ser uma zona protegida, e para evitar grandes multidões na região”.
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Qual o melhor jeito de ver o eclipse solar?
Quem estiver em cidades como Porto, Coimbra, Braga, Faro ou Évora também poderá apreciar um espetáculo impressionante, com mais de 90% do Sol coberto. Já nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, a ocultação será de aproximadamente 74% a 77%.
A recomendação é procurar locais altos, com vista livre e pouca poluição visual, já que ele acontecerá no final da tarde, quando o Sol estará mais próximo do horizonte. Também vale acompanhar a previsão do tempo nos dias anteriores, pois a presença de nuvens pode comprometer a visão.
Como ver o eclipse com segurança?

Observar o Sol diretamente sem proteção adequada pode provocar danos permanentes à retina. Por isso, especialistas recomendam utilizar exclusivamente óculos certificados, desenvolvidos especificamente para este objetivo. O acessório tem filtros especiais que bloqueiam praticamente toda a radiação ultravioleta (UV), infravermelha (IR) e reduz a intensidade da luz visível a níveis seguros. Maria Luísa confirma: “mesmo que o eclipse seja visível a 98%, bastam esses 2% para danificar a visão. Por isso, óculos escuros comuns não cumprem os requisitos para assisti-lo”.
É possível adquirir óculos gratuitos em Portugal
Para incentivar a observação segura do eclipse, a marca de lentes ZEISS lançou uma campanha nacional em parceria com a rede Club da Visão, disponibilizando gratuitamente óculos certificados em mais de 600 óticas participantes espalhadas por Portugal.
Os interessados devem realizar um cadastro na plataforma oficial da campanha, escolher a ótica participante de sua preferência e retirar gratuitamente um par de óculos, sujeito à disponibilidade de estoque. Os óculos são entregues prontos para uso, não exigem montagem e utilizam filtros especiais.
Além dessa iniciativa, alguns Centros Ciência Viva e lojas especializadas em astronomia também comercializam óculos certificados.
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O que é um eclipse solar?
Um eclipse solar acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, projetando sua sombra sobre a superfície terrestre. Dependendo da posição em que você estiver, o astro pode ficar totalmente encoberto pela Lua (eclipse total) ou apenas parcialmente ocultado (eclipse parcial).
No caso do evento do dia 12 de agosto, o céu escurece como se fosse o amanhecer ou o entardecer, a temperatura pode cair alguns graus. É possível ver a coroa solar — a camada mais externa da atmosfera do astro, normalmente invisível devido ao intenso brilho da estrela. “É algo emocionante de se testemunhar”, diz a astrônoma.
Embora esse alinhamento entre a estrela, o satélite e a Terra aconteça algumas vezes por ano em diferentes partes do planeta, a oportunidade de presenciar um eclipse total a partir do mesmo local é extremamente rara. Em muitos lugares, o intervalo entre um e outro pode ultrapassar um século como é o caso deste em território nacional.
Esta é uma oportunidade rara para contemplar um dos mais extraordinários espetáculos da natureza, lembrando-nos da precisão dos movimentos celestes e do fascínio que eles exercem sobre a humanidade há milhares de anos. Saiba mais sobre o tema na página do eclipse aqui.
susana@revistaentrerios.pt