Mesmo diante de uma infindável crise nos bastidores, ora por motivos políticos, ora por financeiros, o Corinthians ainda assim conseguiu, na reta final do ano passado o título da Copa do Brasil, frente ao Vasco, sob o comando de Dorival Júnior. Há muito mérito para entregar a Dorival, sem dúvida. Tirou leite de pedra. Fez das tripas coração. Entretanto, nunca criou aquela ligação afetiva com o torcedor corintiano e, especialmente, com a identidade corintiana.
Um natural distanciamento a mistura com desconfiança. Não era uma questão de “faltava qualquer coisa”, como quase sempre é dito quando não encontramos a melhor resposta ou não temos a coragem para explicar que um não foi feito para o outro. Faltava muita, muita coisa. Dentro e fora de campo.
O casamento fadado ao fracasso acabou por ruir no começo de abril. Surpreendeu um total de zero pessoas. Os portões do Parque São Jorge ficaram prontamente escancarados para receber — e abraçar — o nome mais evidente no mercado: Fernando Diniz.
O Corinthians precisava de Diniz, assim como Diniz precisava do Corinthians. Urgentemente. Uma equação lógica. Um raciocínio óbvio. Tão óbvio que a negociação entre todos os envolvidos durou menos de 24 horas.
De volta ao clube que representou como jogador, em 1997, tendo levantado a taça do Campeonato Paulista, o treinador campeão inédito da Copa Libertadores com o Fluminense trouxe a loucura necessária para ser mais um membro do bando.
Estava na cara que, mais cedo ou mais tarde, acabaria por acontecer. Dito e feito. Fernando Diniz é a personificação daquilo que a mística alvinegra tanto espera quando a bola está rolando. Empenho total. Paixão. Emoção. Cobrança.
Natural da Zona Leste de São Paulo, Diniz há anos diz aos mais próximos que é torcedor do Juventus da Mooca. Pode ser. Talvez seja, então, o juventino mais corintiano que perambulou pelo icônico estádio Conde Rodolfo Crespi.
Tem como casa agora a apoteótica Neo Química Arena. E por se sentir em casa, aliás, aproveita toda e qualquer oportunidade para soltar um “Vai, Corinthians”. Um grito que arrepia e aproxima. Mexe com o imaginário preto e branco. Mas não diz tudo. Nem deveria.
Não há sucesso sem resultados e, consequentemente, vitórias. Ainda é cedo, muito cedo, mas já se vê um salto qualitativo naquilo que é o desenrolar do futebol do Corinthians, seja na defesa, seja no ataque.
Ainda que sem beleza, começa a existir um perfil de jogo bem definido. Obra da adaptação de Fernando Diniz ao Corinthians, e não do Corinthians a Fernando Diniz. Um caminho nunca antes visto na carreira do mesmo.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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