A televisão brasileira perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. Laura Cardoso morreu aos 98 anos, na noite de segunda-feira (17), em sua casa, em São Paulo, de causas naturais. A informação foi divulgada na madrugada desta terça-feira (18) pela família, por meio do perfil oficial da atriz no Instagram.
“Nossa grande estrela se despediu de nós”, dizia a mensagem publicada na rede social, que também afirmava que Laura permanecerá para sempre na memória e no coração do público.
E se existe uma palavra capaz de resumir a trajetória de Laura, talvez seja longevidade. Ela começou a trabalhar ainda adolescente, quando a televisão sequer existia no Brasil, e construiu uma carreira que atravessou o rádio, o teatro, o cinema e a TV.
+ LEIA MAIS: Susana Vieira: “Quem foi que disse que, com 80 anos, não podemos mais ter desejos? Quero beijar e ser feliz”
Foram mais de 80 anos de carreira e cerca de 150 personagens, considerando sua extensa atuação em diferentes formatos. Só na televisão, foram mais de 60 novelas e dezenas de séries e programas.

Laura nasceu como Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, em 13 de setembro de 1927, no Bixiga, em São Paulo. Filha de imigrantes portugueses, descobriu cedo o prazer de representar. Aos 15 anos, começou nas radionovelas da Rádio Cosmos. Pouco depois, chegou à televisão e se tornou uma das pioneiras do novo meio de comunicação no país.
Na TV Tupi, participou de programas e teleteatros ao lado de nomes que ajudaram a construir a televisão brasileira. Em 1981, estreou na Globo, em Brilhante, como Alda Sampaio. Era o início de uma relação que duraria décadas.
Personagens viraram memória afetiva
É difícil falar de Laura Cardoso sem imediatamente lembrar de algum papel. A atriz tinha personagens que pareciam ter vida própria. Entre os destaques, estão Isaura, de Mulheres de Areia (1993), Guiomar, de A Viagem (1994), Sinhana, de Irmãos Coragem (1995), Laksmi, de Caminho das Índias (2009), e Caetana, de O Outro Lado do Paraíso (2018). Sua última novela foi A Dona do Pedaço, um ano depois, interpretando Matilde Azevedo.

Contrato vitalício com a Globo
Mesmo afastada das novelas desde 2019, Laura mantinha um contrato vitalício com a TV Globo, fazendo parte de um grupo extremamente seleto de artistas veteranos da emissora.
+ LEIA MAIS: Luana Piovani fala sobre carreira, sexo e menopausa
Homenagem na Calçada da Fama
Em outubro de 2025, aos 98 anos, Laura foi uma das primeiras personalidades homenageadas na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, criada para celebrar os 30 anos do complexo de produção. E não ficou apenas na homenagem à distância: ela fez questão de comparecer pessoalmente à cerimônia. Sua chegada foi um dos momentos mais emocionantes do evento.

Poucas semanas depois, voltou aos Estúdios Globo para gravar a tradicional mensagem de fim de ano da emissora. Na ocasião, reencontrou Susana Vieira e Tony Ramos. Susana, emocionada, chamou Laura de “minha mestra, minha professora”.
Laura já emprestou a voz aos Flintstones
Muito antes da era das grandes animações digitais, Laura também trabalhou como dubladora. Uma de suas vozes mais curiosas foi a de Betty Rubble, de Os Flintstones.

Atriz viveu uma perda familiar muito dolorosa
Laura enfrentou uma tragédia pessoal que raramente era comentada por ela. A atriz perdeu o filho José apenas três dias depois do nascimento. Anos mais tarde, em entrevista, falou sobre a dor como algo que deixou um vazio profundo. Laura teve ainda as filhas Fátima e Fernanda.
Ela nunca gostou muito da ideia de aposentadoria
Mesmo aos 97 anos, Laura ainda dizia que queria continuar trabalhando e que esperava por novos personagens. Em entrevista no ano passado, ao falar sobre o curta Dona Rosinha, no qual interpretou uma idosa abandonada pela filha, afirmou que queria seguir na ativa.
Laura seguia uma regra: não escolhia personagens favoritos
Laura costumava dizer que não gostava de eleger um personagem ou uma novela como “a mais importante”. Para ela, cada papel tinha seu valor. “Amei todos eles”, afirmou ao relembrar os 80 anos de carreira.
renata@revistaentrerios.pt