Há lugares onde o tempo parece desacelerar ao ritmo da natureza. No Douro, com uma paisagem moldada ao longo de séculos, a experiência vai muito além de provar um bom vinho. Na Quinta de Ventozelo, uma das maiores e mais antigas propriedades da região, com mais de 400 hectares, o convite é para mergulhar num modo de vida em que a sustentabilidade deixa de ser um conceito e passa a fazer parte da rotina, da mesa ao quarto, da horta aos produtos de higiene oferecidos aos hóspedes.
Conhecida mundialmente pelos vinhos, a região do Douro revela em Ventozelo uma vocação mais ampla. Dos 400 hectares da propriedade, cerca de 200 são ocupados por vinhas. O restante é dedicado à produção de azeite, frutas, hortaliças, mel e outras culturas. No centro desse ecossistema está uma horta que se tornou símbolo da filosofia da quinta. Além de legumes e verduras, abriga 13 variedades de citrinos e, nesta temporada, tem como estrela o tomate coração de boi, vencedor do concurso de melhor tomate coração de boi do Douro em 2025, prêmio dividido com a Quinta do Pessegueiro. Desde 2018, o arquiteto paisagista João Bicho é responsável pelo espaço.

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“O tomate coração de boi não gosta de excesso de umidade. Por isso a rega precisa ser controlada. O nosso objetivo aqui é ter matéria-prima para abastecer a cozinha”, afirma.
A produção da horta abastece diretamente a Cantina de Ventozelo, restaurante comandado pelo chef José Guedes, onde os menus acompanham a sazonalidade da região e privilegiam ingredientes cultivados na própria quinta. Hortaliças, frutas, azeite, mel e, naturalmente, os vinhos produzidos ali compõem a base da cozinha. Quando há excedentes, os alimentos são trocados com quintas vizinhas, fortalecendo a economia local e reduzindo desperdícios.

“Na Cantina temos menus fixos e flexíveis de acordo com a sazonalidade da região. Isso também é importante para sermos mais inclusivos”, explica o chef.
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Entre os pratos de maior sucesso está o javali estufado, disponível durante todo o ano, além do tradicional covilhete de javali, preparado com animais que habitam o local. A visita à horta também integra a experiência de agroturismo oferecida aos hóspedes.
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A preocupação com o aproveitamento integral dos recursos se estende à hospedagem. Nos quartos, tecidos reaproveitados dão origem a saquinhos perfumados com alfazema, enquanto os amenities são produzidos pela empresa Oliófora, sediada em Amarante, especializada em cosmética natural para hotéis e spas. A marca utiliza ingredientes fornecidos pela própria quinta, como alfazema, alecrim, cascas de citrinos e amêndoas. Depois da extração do óleo de amêndoa para a produção de cosméticos, a farinha resultante do processo regressa ao hotel, onde é utilizada na confecção de sobremesas e biscoitos, criando um ciclo de reaproveitamento.

O portfólio da empresa reúne cerca de 150 produtos, entre sabonetes, champôs, sais de banho, óleos e cremes corporais. “A cosmética entrou na minha vida em 2014, mas sempre gostei porque a Rússia tem uma tradição muito forte de remédios naturais. Hoje temos cerca de 200 clientes, sendo 100 hotéis, e já estamos a preparar a chegada dos nossos produtos ao Japão”, conta Daria Maximova, fundadora da empresa, natural de São Petersburgo.
Com referências históricas que remontam a 1288 e fundada como quinta por volta de 1500, Ventozelo propõe tradição e inovação na hospedagem. O vinho continua a ser protagonista, mas divide espaço com a gastronomia, a agricultura, a biodiversidade e iniciativas que transformam resíduos em novos produtos.

O local tem 29 opções de hospedagem, que vão de quartos instalados em antigos celeiros a suítes criadas em antigos espaços de armazenamento de vinho e casas com piscina privativa. As diárias custam a partir de 180 euros.
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