MÚSICA

Primavera Sound Porto 2026: festival abre com multidões ao som de The xx, Big Thief e Ethel Cain

Primeira noite do festival reuniu diferentes gerações no Parque da Cidade, com apresentações que passaram pelo indie rock, hip-hop, folk e eletrônica

Junho 12, 2026

Após oito anos longe dos palcos, trio britânico encerrou a primeira noite do festival diante de uma multidão e conduziu o público por uma viagem entre clássicos, nostalgia e novas sonoridades. Crédito: Hugo Lima/Primavera Sound Porto 2026

O Primavera Sound Porto 2026 começou em clima de verão e com um dos regressos mais aguardados desta edição. Após oito anos longe dos palcos, os britânicos The xx encerraram a primeira noite do festival diante de uma multidão no Parque da Cidade, em um espetáculo marcado pela nostalgia, pelos clássicos que consolidaram a banda e pela celebração de uma trajetória que atravessa gerações.

Sem músicas inéditas para apresentar, o trio formado por Romy Croft, Oliver Sim e Jamie xx apostou numa viagem pelo repertório que os transformou em referência do indie pop a partir do álbum de estreia, lançado em 2009.

Canções como “Angels”, “Crystalised”, “Islands”, “Say Something Loving” e “I Dare You” foram recebidas em coro por um público que ocupou em peso a frente do palco principal.

A recepção do público mostrou a força que o grupo ainda mantém mesmo após anos sem lançar material inédito. Entre os espectadores estava a publicitária brasileira Clara Batista, que destacou a construção do espetáculo.

“Achei um show extremamente coeso. Parecia que estava contando uma história do início ao fim”, afirmou. Ela também disse ter sido surpreendida pelo ritmo da apresentação. “Eu esperava um concerto mais parado, por causa do estilo da banda, mas foi bastante animado”, avaliou.

A atuação também refletiu os caminhos percorridos individualmente pelos três músicos durante o hiato da banda. Elementos eletrônicos associados ao trabalho recente de Jamie xx deram uma nova dinâmica a algumas faixas, enquanto momentos como a execução de “Loud Places”, parceria entre Jamie e Romy lançada em 2015, provocaram uma das reações mais calorosas da noite.

O encerramento ficou reservado para “Intro”, composição instrumental que abriu inúmeros concertos da banda ao longo da carreira e que desta vez surgiu apenas no fim do espetáculo. Entre agradecimentos ao público português, os integrantes destacaram a importância do reencontro após anos dedicados a projetos solo.

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Se os The xx concentraram a maior multidão da noite, o primeiro dia do Primavera mostrou a diversidade que se tornou marca registrada do festival. Horas antes, os norte-americanos do Big Thief transformaram o palco principal em um cenário intimista, combinando delicadeza e intensidade em canções como “Vampire Empire”, “Not” e “Simulation Swarm”.

Sob a luz do fim de tarde, a banda liderada por Adrianne Lenker confirmou por que se tornou um dos nomes mais respeitados do folk e do indie rock contemporâneo.

No palco Vodafone, a norte-americana Ethel Cain protagonizou um dos momentos mais emocionais do dia. Cercada por fãs que aguardavam desde a manhã para garantir lugar na grade, a cantora apresentou um espetáculo marcado por forte carga narrativa e interpretações de músicas como “Crush”, “House in Nebraska” e “Janie”. A artista ainda apresentou “Ptolomea”, canção que nunca havia tocado em Portugal.

Também no Vodafone, o trio irlandês Kneecap levou ao festival a combinação explosiva de hip-hop, ativismo político e energia de pista. Com uma atuação intensa, o grupo mobilizou uma das plateias mais entusiasmadas da noite e reforçou as mensagens que têm marcado a sua trajetória.

Entre as surpresas do dia estiveram o espanhol rusowsky, que colocou o público para dançar com a sua mistura de ritmos latinos, pop e eletrônica, e a francesa Oklou, que trouxe um espetáculo visualmente elaborado e sonoridade experimental.

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A programação também abriu espaço para artistas portugueses. Emmy Curl inaugurou o palco principal com uma apresentação delicada e contemplativa, enquanto os Sensible Soccers transformaram o Vodafone numa pista de dança ao ar livre com a sua eletrônica instrumental. Os Vaiapraia também animaram o início da tarde, reforçando a presença nacional em um cartaz dominado por atrações internacionais.

Com temperaturas acima do habitual para a cidade e um recinto cheio desde as primeiras horas da tarde, o Primavera Sound Porto iniciou a edição de 2026 com uma combinação de nostalgia, descobertas e reencontros. Agora, as atenções voltam-se para o segundo dia do festival, que terá Gorillaz como principal atração.

flavio@revistaentrerios.pt