O terceiro dia do Primavera Sound Porto 2026 foi marcado por contrastes. De um lado, o espetáculo denso e politizado dos Massive Attack. Do outro, apresentações que celebraram diferentes sonoridades vindas do Brasil.
A atração principal da noite foi o Massive Attack, que voltou a Portugal com um concerto que ultrapassou a dimensão musical. Ao longo de cerca de uma hora e meia, o coletivo de Bristol apresentou clássicos como “Angel”, “Safe From Harm”, “Unfinished Sympathy” e “Teardrop”, acompanhados por uma sucessão de imagens, estatísticas e mensagens sobre conflitos armados, desigualdades sociais, vigilância digital e crises humanitárias.
Com participações de Elizabeth Fraser, Horace Andy e Deborah Miller, o grupo transformou o palco principal em um espaço de reflexão política. A força das canções permaneceu intacta, mas desta vez dividiu atenção com um discurso visual que expôs, sem filtros, algumas das principais tensões do mundo contemporâneo.
Antes disso, o público português recebeu uma das apresentações mais aguardadas da tarde. O encontro entre Criolo, o pianista Amaro Freitas e Dino D’Santiago foi traduzido em um espetáculo que transitou entre rap, jazz, ritmos afro-atlânticos e música eletrônica.
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A apresentação também foi marcada pela admiração mútua entre os músicos. Em um dos momentos mais emocionantes do concerto, Dino D’Santiago falou sobre a influência que Criolo teve em sua trajetória.
“Eu só sonhava em abraçar o Criolo ao ouvir a sua música e hoje estamos aqui no mesmo palco”, afirmou. O artista recordou ainda que ouvir o brasileiro foi determinante para que deixasse projetos como Expensive Soul e Nu Soul Family e apostasse em uma carreira solo.
A cumplicidade entre os três artistas ficou evidente durante toda a apresentação, que foi recebida com entusiasmo por um público atento a cada detalhe da fusão sonora construída no palco.

Outra brasileira que se destacou no terceiro dia do Primavera foi Duquesa. Um dos nomes mais relevantes do rap nacional contemporâneo, a artista baiana mostrou desenvoltura e domínio de palco em uma apresentação que conquistou tanto os fãs que já acompanhavam sua trajetória quanto parte do público que a descobria ali pela primeira vez.

Entre os espectadores estava o pernambucano Renatto Mendonça, que vive na Espanha. Ele contou que a ascensão de Duquesa aconteceu quando já havia deixado o Brasil, o que fez da apresentação uma oportunidade especial para conhecer de perto a artista.
“Quando a Duquesa explodiu no Brasil eu já morava fora, então não acompanhei esse crescimento de perto. O que mais me chamou atenção foi a desenvoltura dela no palco e a forma como conduziu o público”, afirmou.
Um dos momentos mais celebrados do show aconteceu quando a rapper incorporou um excerto de “Atoladinha”, hit do funk que marcou os anos 2000. A referência foi imediatamente reconhecida pelos brasileiros espalhados pelo recinto, que cantaram em coro e transformaram o trecho em um dos pontos altos da apresentação.
O público também marcou presença diante do palco principal para acompanhar JADE, que fez sua estreia no Primavera Sound Porto. Ex-integrante do Little Mix, a cantora apresentou músicas de seu primeiro álbum solo e ainda revisitou sucessos que marcaram sua trajetória no grupo britânico.
Emocionada com a recepção do público, a artista falou sobre a importância daquele momento. “Sempre foi um sonho me apresentar no Primavera, então estar aqui hoje é um privilégio”, disse.
Ela contou ainda que costuma sentir insegurança antes de apresentações fora do Reino Unido. “Eu sempre fico pensando se vai ter gente, se as pessoas vão aparecer, então muito obrigada por estarem aqui”.

A resposta veio em forma de aplausos e coro coletivo durante o medley que reuniu sucessos das Little Mix. Ao final do espetáculo, a cantora resumiu o sentimento da noite. “Esse é um dos melhores shows da minha vida”.
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O sábado também teve apresentações de IDLES, Amaarae, Sudan Archives, Yard Act, NAPA e Mike D, dos Beastie Boys.
Quando os telões dos Massive Attack se apagaram, ficaram na memória diferentes formas de ocupar um palco: o manifesto político dos britânicos, a emoção compartilhada entre Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago, a energia de Duquesa e a celebração pop de JADE. Um retrato fiel da diversidade que marcou o terceiro dia do festival.
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