Quem chega à Cidade do Rock encontra palcos gigantes, atrações espalhadas por todos os lados, áreas de alimentação, ativações de marcas e uma programação que parece funcionar sem falhas. Mas, por trás de cada detalhe, existe uma verdadeira operação de guerra que começa muito antes dos portões abrirem.
Nesta 11ª edição do Rock in Rio Lisboa, mais de 15 mil profissionais trabalham para garantir que a experiência do público aconteça da melhor forma possível. O número representa um aumento superior a mil pessoas em relação à edição anterior, impulsionado pela ampliação da área do festival e pelo reforço de serviços como instalações sanitárias, alimentação e mobilidade. Além das vagas temporárias, o evento também contribui para a criação de empregos permanentes em diferentes setores.
Arquitetos, engenheiros, profissionais de saúde, seguranças, produtores, cenógrafos, especialistas em logística, marketing, comunicação, recursos humanos, bilheteiras e operações são apenas algumas das funções que ajudam a colocar o festival de pé. A EntreRios conversou com alguns desses protagonistas dos bastidores e conta, a seguir, as histórias de quem faz o Rock in Rio acontecer longe dos holofotes.
Alice Reis é uma das responsáveis por organizar o acesso à roda-gigante, orientando o público na entrada e saída das cabines e ajudando a esclarecer dúvidas dos visitantes. A experiência no Rock in Rio não é novidade para ela: depois de trabalhar na edição de 2024, decidiu voltar neste ano. “Trabalhar aqui é muita responsabilidade, mas é muito bom, muito divertido. Recomendo muito”, conta.
Já Catarina Alves é funcionária da limpeza da Câmara Municipal de Lisboa e está trabalhando no Rock in Rio novamente na equipe dedicada ao evento, enquanto outras colegas são direcionadas para atuar em outros festivais. Ela explicou que gosta de trabalhar no Rock in Rio e de sentir a adrenalina que o evento proporciona.
“É muito trabalho e também muita adrenalina. E as pessoas reconhecem mais o nosso trabalho nos eventos. Estamos todos os dias nas ruas a fazer a limpeza da cidade, mas aqui as pessoas notam, agradecem e a própria produção do evento também valoriza muito o nosso trabalho”, elogia.
Já na área de logística, Vini Cavalieri atua na produção de A&B (alimentos e bebidas). Ele é um dos responsáveis por coordenar toda a organização, distribuição, contagem, estoque e toda a operação desde a chegada do fornecedor até o destino final.
“Estou trabalhando temporariamente e já estamos há quase três meses aqui, mas a operação começa muito antes, cerca de 6 ou 7 meses antes do evento, o que inclui negociações com fornecedores, programação dos pedidos e de quantidades. Como diz meu chefe: isso aqui é um porta-aviões”, compara.
Ele tem como objetivo distribuir alimentos e bebidas para 60 unidades móveis, mais de 20 bares, 15 estandes, 70 áreas técnicas, área VIP e comfort zones, o que leva a um total de 200 pontos de distribuição.
“Nossa missão é garantir que não falte bebida em lugar nenhum e que ela chegue rápido até o lugar. Há ainda a questão do calor e da hidratação que também é preciso estar atento. É uma operação muito intensa”, destaca.
Há equipes no Rock in Rio que também são as chamadas volantes, que acabam atuando em diversas frentes. Esse é o caso de Henrique Simão que, apenas nos dois primeiros dias de festival, já trabalhou na montagem do palco, montagem técnica, transporte de equipamentos, no auxílio a especificações dos artistas, como nos preparos dos leques distribuídos por Pedro Sampaio em seu show no sábado (20) e nos cuidados com a sustentabilidade e com a saúde do público.
“Todo mundo fica servido de alguma forma com a nossa equipe. Eu já tinha trabalhado em eventos mas nunca em um festival gigantesco como esse. Tem sido uma experiência incrível trabalhar com a energia de todo o pessoal que constrói esse evento”, celebrou ele.
Já o médico intensivista Nuno Candeias, médico coordenador do Rock in Rio e dos cuidados intensivos do Hospital Lusíadas Lisboa, dá apoio nas questões relacionadas à saúde no Rock in Rio. A equipe de saúde é composta por quase 60 profissionais de saúde.
Entre eles são 12 equipes com dois profissionais cada espalhadas por todas as áreas da cidade do Rock, que ficam responsáveis por fazer abordagens a vítimas e a prestar os primeiros cuidados para qualquer tipo de emergência ou ocorrência de saúde. “Felizmente, a enorme maioria são casos leves”, explica ele.
Para além disso, há outras seis equipes compostas por um médico e um enfermeiro cada que podem realizar uma assistência mais avançada ao público.
Após a atuação delas, os pacientes podem ir até o centro médico onde são prestados uma série de cuidados médicos, como medidas simples de hidratação, curativos, medicações orais até situações de emergência mais críticas. Segundo ele, boa parte dos casos se deu por conta do forte calor que atingiu Lisboa, chegando a 35 graus ao longo da tarde de domingo (21).
“Em termos de saúde temos que estar sempre preparados, esperamos o melhor mas estamos preparados para o pior. Tivemos um número gigantesco de atendimentos por aqui além de ativações das equipes de emergência, um recorde entre todas as edições do festival, mas felizmente a enorme maioria foi sem qualquer tipo de complicação”, explicou o profissional.
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