Com 40 anos de história — sendo 25 deles com presença consolidada no Brasil — a rede Vila Galé vive um novo momento de expansão no país, com sete hotéis em construção e um investimento que chega a R$900 milhões.
Para o fundador e presidente do grupo, Jorge Rebelo de Almeida, o cenário atual reflete uma mudança de comportamento: “O turismo deixou de ser um produto supérfluo e passou a ser um produto essencial ao equilíbrio emocional das pessoas”.
Em 2025, o grupo registrou crescimento de 15%, alcançando receitas de 321,5 milhões de euros. Atualmente, a Vila Galé conta com 34 hotéis em Portugal, quatro em Cuba e um na Espanha. No total, são mais de 10 mil quartos, mais de 25 mil camas e cerca de cinco mil colaboradores em todo o mundo.
A aposta no crescimento brasileiro vem acompanhada de números expressivos, como os 13 hotéis já em operação e o avanço para destinos como Maranhão, Alagoas, Paraíba, Minas Gerais e Santa Catarina, ao mesmo tempo em que o empresário chama atenção para entraves que ainda limitam o setor, como questões de infraestrutura, carga tributária e insegurança jurídica. Confira a entrevista completa abaixo!
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Como você tem visto esse cenário atual para o Vila Galé no Brasil? Tem estado otimista com o crescimento do turismo no Brasil?
Temos uma estimativa de investimentos de R$900 milhões, que é semelhante em Portugal. O turismo tem atravessado uma fase um pouco imprevisível, porque a realidade é que o mundo está meio conturbado e não se sabe bem como vai evoluir a questão da guerra por conta do preço do petróleo e de alguma imprevisibilidade quanto à situação da segurança no mundo. Em Cuba, por exemplo, estamos parados porque existe esta situação difícil de embargo. Nós temos quatro hotéis com 1.800 quartos por lá, mas que neste momento não conseguem trabalhar porque estão sem energia elétrica. Mas temos planos de crescer e chegar a outros países como Cabo Verde.
Considerando tudo isso, se resolver, o turismo apresenta condições muito boas para continuar a crescer, porque efetivamente o turismo deixou de ser um produto supérfluo e passou a ser um produto essencial ao equilíbrio emocional das pessoas. Afinal todo mundo precisa de férias, não é?
Como você vê as condições para o turismo no Brasil e o que falta para que esse segmento seja ainda mais explorado?
Nós vemos o Brasil com boas perspectivas de crescimento do turismo, embora continue muito aquém do tremendo potencial que o Brasil tem. Porque o país, em minha opinião, nunca poderia ficar satisfeito com menos de 30 milhões de turistas que é o que tem, por exemplo, o México. O Brasil precisa ter uma ambição maior, fazer um trabalho de campo, é preciso melhorar a infraestrutura.
As vias de acesso do Brasil continuam a ser deficientes, há uma via férrea inexistente. Mas o fundamental para o turismo crescer é o transporte aéreo, dadas as distâncias. A TAP tem feito um trabalho extraordinário para o Brasil. Hoje tem 98 voos semanais para várias capitais de diversos estados do Brasil, mas o país precisa continuar apostando e precisa de mais TAPs… Também faz falta as companhias low cost, com preço mais acessível. Existe ainda a falta de estímulo aos investimentos, além da questão de carga tributária também afastar investimentos para o Brasil.
Como enxerga a questão da segurança no Brasil?
Nós podemos falar de um dos fatores que afastam o turismo internacional e nacional que são os problemas de segurança interna, segurança física. Mas a parte disso, outro problema que é preciso melhorar é a segurança jurídica. Há um sistema judicial no Brasil que é moroso e imprevisível. Nós estamos no Brasil há 25 anos, temos uma paixão muito grande pelo país, mas hoje um investidor novo que queira ir para lá vai encontrar no mundo outras alternativas com uma segurança jurídica e com um regime tributário mais atrativo para os investimentos do que o Brasil. Muita gente fica desestimulada e vai embora.
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Como tem sido a sua relação com o Governo Federal e com os estaduais?
Alguns estados têm feito um trabalho extraordinário na captação de investimento e utilizando alguns incentivos a nível dos impostos estaduais e municipais. Há políticas muito válidas no Brasil para facilitar o desconto do ISS ou do IPTU para atrair novos investimentos. Mas, a nível federal não há incentivo nenhum. E pelo contrário, hoje essa nova legislação tributária vai criar uma duplicação do trabalho, porque vai obrigar a fazer duas formas de contabilizar as contas que são onerosas, pesadas.
O que precisaria ser feito para a situação melhorar?
As empresas precisam ter o seu planejamento, precisam saber o que vai acontecer no futuro, como vai ser a evolução da economia. Nesse aspecto, já há de crescer a imprevisibilidade mundial com fatores como a Guerra no Irã que afeta os preços dos combustíveis. Portugal não escapa à regra, também é complicado, tem uma administração pública demorada, com pouca capacidade de resposta para que as empresas possam ter soluções rápidas para os problemas que têm.
Ainda que a justiça não seja tão gravosa quanto o Brasil, ela também é pouco efetiva. Em Portugal, não conseguimos nos libertar da burocracia e esse é um dos grandes empecilhos para o desenvolvimento econômico e à melhoria de vida das pessoas. E no final do dia, quem cria as riquezas nos países são as empresas. O trabalho de casa a ser feito é ajudar as empresas a conseguirem produzir mais e melhorarem a produtividade se nós queremos melhorar a vida das pessoas.
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