Sustentabilidade

Rock in Rio Lisboa quer reciclar 60% de todos os resíduos coletados ao longo de quatro dias de festival

Festival possui parcerias com empresas e com o poder público para estimular a reciclagem de resíduos e as práticas de sustentabilidade

Junho 26, 2026

Pontos de coleta e profissionais da Ponto Verde garantem a reciclagem de resíduos no Rock in Rio. Crédito: Divulgação
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Sustentabilidade é uma das bandeiras históricas do Rock in Rio Lisboa e ganha ainda mais protagonismo na edição de 2026. Se nos últimos anos o tema já vinha sendo incorporado gradualmente à operação do festival, desta vez ele aparece de forma mais ampla, com novas ações e um número maior de parceiros envolvidos em iniciativas ligadas à preservação ambiental, gestão de recursos e reciclagem de resíduos.

Ao longo da última década, o festival ajudou a plantar mais de 3,9 milhões de árvores, contribuiu para a instalação de mais de 760 painéis fotovoltaicos em escolas portuguesas e apoiou anualmente mais de 200 entidades, impactando diretamente mais de 56 mil pessoas.

Em 2026, o compromisso com o meio ambiente começa antes mesmo do primeiro show. Os copos reutilizáveis do festival chegam com quatro designs exclusivos, produzidos a partir de plástico reciclado e com emissão zero de carbono. A proposta é incentivar o público a reutilizar o recipiente ao longo dos quatro dias de evento, reduzindo o consumo de descartáveis e reforçando hábitos mais sustentáveis dentro da Cidade do Rock.

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Coletores da Volta e da Ponto Verde no Rock in Rio Lisboa 2026. Crédito: Renan Araujo

A organização tem um programa de reaproveitamento total da grama sintética utilizada no recinto, possui processos de compostagem e de reforço na coleta seletiva de resíduos orgânicos. Além disso, o festival recebeu a certificação 100R, que garante que foram adotadas práticas ambientais sustentáveis, especialmente na reciclagem de todos os resíduos do evento.

Para isso, o Rock in Rio Lisboa conta com parcerias com dois sistemas, o Volta, Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) para devolver as embalagens de bebidas para reciclagem. Ao depositar os materiais em um dos 18 coletores espalhados pelo evento, o visitante poderá receber o valor do depósito através do aplicativo volta€ ou optar pela sua doação a organizações sem fins lucrativos para a Liga dos Bombeiros Portugueses. As garrafas de plástico, por exemplo, terão um valor de 0,10 euros por unidade ao serem devolvidas vazias e com tampa.

“Os grandes eventos são lugares de celebração, encontro e partilha, mas também são contextos em que pequenos gestos podem ter um grande impacto. Queremos que os festivaleiros vivam o festival ao máximo e que, no fim, saibam que devolver uma garrafa é simples, rápido e faz a diferença”, afirma Lia Oliveira, Diretora de Marketing e Comunicação da volta.

Mas a parceria mais longínqua do Rock in Rio do quesito sustentabilidade é com a Sociedade Ponto Verde, empresa de gestão de resíduos de embalagens, que acontece desde a primeira edição em 2024. A marca é a Parceira Oficial de Sustentabilidade do Rock in Rio Lisboa.

“Nós somos os parceiros que contribuíram para o desenho do plano de sustentabilidade e eu sempre comento com eles que estamos aprendendo juntos para as melhores práticas da gestão de resíduos em um ambiente de festivais. Nossa ambição esse ano é separar 60% dos resíduos produzidos aqui para a reciclagem, o que seria nosso melhor número da história”, afirma Ricardo Sacoto Lagoa, Diretor de Marketing, Sensibilização e Comunicação da Sociedade Ponto Verde. Em 2024, esse percentual foi de 43,3%.

Ricardo Sacota da Sociedade Ponto Verde: empresa quer reciclar 60% dos resíduos produzidos no festival. Crédito: Renan Araujo

“A sustentabilidade é um compromisso transversal a todas as dimensões do festival e uma prioridade que procuramos tornar cada vez mais visível e acessível a quem nos visita. Essa parceria é um excelente exemplo de como podemos transformar sensibilização em ação. Juntos, temos vindo a promover hábitos mais conscientes, tanto junto do público como de todas as equipas que fazem acontecer o festival”, celebra Roberta Medina, Vice-Presidente Executiva do Rock in Rio Lisboa.

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A empresa conta com pontos de coleta para a separação de resíduos reciclados em toda a Cidade do Rock, profissionais destinados à coleta nas áreas de alimentação e ecopontos além de exibir vídeos de sensibilização do público. Todo o processo de coleta durante o festival também é feito em parceria com profissionais da limpeza da Câmara Municipal de Lisboa.

Prêmios

Quem reciclar as embalagens corretamente será premiado com um token digital que dá acesso a uma vida extra no jogo “Recycle Rockstar”, presente no estande da empresa.

O quiz busca estimular o público a encaminhar as embalagens para o ecoponto correto e concorrer a um ingresso duplo e uma viagem para o Rock in Rio no Brasil, em setembro, além de outros prêmios. Para participar é preciso fazer download do app Ponto Verde através do QR code presente no token.

“O jogo é algo divertido e o que estamos tentando com ele é estimular as pessoas a se divertir e também aprender a reciclar e a ter esses bons comportamentos sustentáveis que queremos que as pessoas também levem para o dia a dia delas. Essa é uma boa prática para termos todos os dias da nossa vida”, ressalta.

O executivo aponta que um dos principais pilares da estratégia é a proximidade com o público. A empresa também participa de outros festivais, eventos e festas populares em todo o país para ampliar o alcance da reciclagem de embalagens.

Os resíduos coletados são levados para o Sistema de Gestão de Resíduos Urbanos, de responsabilidade dos municípios e que pode contar com parcerias com empresas privadas.

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Os resíduos são levados para a triagem, passam por nova separação e por uma descontaminação e são transformados em matérias-primas para que os recicladores possam fazer novas embalagens ou utilizações com o material, atingindo os objetivos da chamada economia circular. No Rock in Rio essa gestão é feita pela empresa Valor Sul.

O Rock in Rio já é considerado um evento com zero resíduos em aterros desde 2016 e é considerado um evento carbono neutro desde 2006. Em 2024, a edição portuguesa emitiu mais de 12 mil toneladas de CO2 (89% delas por conta dos deslocamentos) e compensou as emissões com a plantação de árvores na Amazônia. Desde 2016, já foram plantadas mais de um milhão, com potencial de sequestro de 150 mil toneladas de CO2 equivalente.

renan@revistaentrerios.pt