CENA CULTURAL

Rodas de samba se multiplicam em Lisboa e Porto e conquistam o público português

Impulsionadas por músicos brasileiros, elas já fazem parte da cena cultural de Portugal

Agosto 10, 2026

Neném do Chalé, fundador do Samba do Chalé , roda lisboeta sem endereço fixo. Na foto, com sua filha Lua de Jade. Crédito: Renato Velasco
Neném do Chalé, fundador do Samba do Chalé , roda lisboeta sem endereço fixo. Na foto, com sua filha Lua de Jade. Crédito: Renato Velasco
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O som das platinelas do cavaquinho fincou raízes por aqui. Fruto da semente plantada por imigrantes brasileiros há mais de uma década, o samba já tem diversos endereços nas cidades lusas, principalmente em Lisboa e no Porto. As rodas se multiplicam, atraindo amantes de um ritmo sem fronteiras e sem prazo de validade. Não é modismo.

As rodas de samba chegaram para ficar. Um dos grupos mais antigos, o Democratas do Samba, já comemora 17 anos de música em solo lusitano. Seu fundador, Tercio Borges, 62 anos, é um cavaquinista brasileiro que, em busca de trabalho, trocou o Rio de Janeiro por Lisboa em 2001. É considerado um embaixador do ritmo. Com seis músicos — três brasileiros e três portugueses — apresenta-se às sextas-feiras no Bartô, na Costa do Castelo. “Fui o primeiro a chegar com essa história de samba, quando Portugal era um deserto. Agora, as pessoas frequentam as rodas e gostam do ritmo brasileiro, que é o que tocamos. O forte dos portugueses não é o samba autoral”, conta Tercio.

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Em Lisboa, o Viva o Samba é o mais popular, com 12 integrantes, todos brasileiros. Um dos fundadores, o percussionista Humberto Mateus, Betinho, 39 anos, deixou o Brasil aos 14 para visitar um tio residente em Portugal. Gostou, decidiu ficar e largou a banda mirim da qual fazia parte, em São Paulo. Tocou em bailes e, em 2015, criou com familiares o projeto que se apresenta no Lat.A, nas Docas de Santo Amaro, quinzenalmente, aos domingos.

Tercio Borges. Crédito: Divulgação
Tercio Borges, fundador do Democratas do Samba. Crédito: Divulgação

“Nosso sucesso foi consolidado com o apoio de nomes renomados. Já convidamos mais de 500 artistas para cantar na nossa roda, entre eles Jorge Aragão, Moacyr Luz, Mart’nália e Neguinho da Beija-Flor. Os portugueses consomem cultura brasileira, a começar pelas novelas”, diz Betinho, que toca surdo.

A cidade do Porto não fica atrás. É lá que está a base de uma das principais referências da música brasileira no país. Criada há 14 anos, a Orquestra Bamba Social conta com seis músicos brasileiros e 12 portugueses. O grupo tem três discos lançados e se apresenta regularmente no Porto, no Jangal Gastro Bar, na Rua de D. Manuel II, 178, próximo ao Palácio de Cristal. Sem dias fixos, a agenda é divulgada nas redes sociais.

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Um dos fundadores da Orquestra Bamba Social, o português Pedro Pinheiro, 46 anos, reconhece a posição de destaque conquistada pelo samba no cenário mundial: “Além da proximidade linguística e do carinho do povo português pelo Brasil, o samba é a expressão máxima desse dom de transmitir alegria por meio da música. E conquistou seu lugar para além de qualquer fronteira”, destaca Pedro, que toca cavaquinho e banjo.

Orquestra Bamba Social. Crédito: Divulgação
Orquestra Bamba Social. Crédito: Divulgação

Roda com pedigree

O Samba do Chalé é uma roda lisboeta que nasceu em 2017. Tem pedigree. Seu fundador, Danielson Prates de Oliveira, 39 anos, o Neném do Chalé, é neto do cantor e compositor Padeirinho e filho do percussionista e diretor de bateria Mestre Birinha. Ambos, já falecidos, fazem parte da história da escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Neném herdou do pai o talento para a percussão e mantém vivo o repertório do avô, autor de clássicos como Favela (com Jorginho Pessanha) e Linguagem do Morro (com Ferreira dos Santos).

Samba do Chalé. Crédito: Renato Velasco
Samba do Chalé. Crédito: Renato Velasco

“Cheguei a Portugal há 12 anos. Era uma viagem de passeio para durar um mês, mas percebi que faltava percussão por aqui. Atribuo o sucesso das rodas de samba no país aos bambas que fazem esse gênero com seriedade. Estamos colhendo os frutos que foram plantados”, afirma Neném.

O Samba do Chalé não tem endereço fixo. Eles se apresentam em diversas cidades, principalmente em Lisboa. As agendas são divulgadas nas redes sociais.

Esta reportagem foi publicada originalmente na edição impressa da EntreRios, disponível mensalmente em bancas de Portugal. Para ter acesso a conteúdos exclusivos e receber a revista em casa, assine aqui.