A Universidade de Coimbra, a mais antiga e uma das mais tradicionais de Portugal, vai inaugurar um escritório próprio no Brasil, em setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, para ampliar as relações comerciais e acadêmicas com estudantes, empresas e instituições.
Segundo Nuno Mendonça, vice-reitor para inovação, relação com empresas e empregabilidade da instituição, o objetivo é fortalecer a presença institucional da universidade naquele país e ampliar a colaboração com empresas e centros de pesquisa.

“Vamos trabalhar mais perto das empresas brasileiras para estimular a transferência de conhecimento e aproximar nossos pesquisadores de empresas de diferentes setores da economia, como petroquímica, sustentabilidade, economia azul e agronegócio”, afirma. Segundo ele, há um potencial gigantesco a ser explorado, já que o mercado brasileiro é pelo menos 20 vezes maior que o português.
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Inicialmente, o intercâmbio entre os dois países deve concentrar-se em estudantes de doutorado e pós-doutorado dedicados à pesquisa, com base no novo escritório.
Mais de cinco mil brasileiros estudam na Universidade de Coimbra
A abertura do escritório reforça uma relação já consolidada com o Brasil, de onde vêm mais de cinco mil estudantes da instituição, distribuídos por diferentes cursos e níveis de ensino. Para Mendonça, com os planos de expansão global, a parceria tende a se fortalecer ainda mais.
“Essa relação com Coimbra vem de longa data. Muitas famílias têm alguma ligação com a universidade, que faz parte da história do ensino superior no país. Essa proximidade é motivo de grande satisfação para nós”, afirma.
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Nos últimos cinco anos, a Universidade de Coimbra assinou mais de 320 protocolos e memorandos de entendimento com parceiros brasileiros nas áreas de saúde, direito, inovação e desenvolvimento econômico. Os acordos envolvem entidades como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Outra parceria importante foi feita com a prefeitura de São José dos Campos para o desenvolvimento de estudos, mobilidade, e inovações na área espacial com o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e com a Embraer.
Relação importante com a Fiocruz
Recentemente, Mendonça esteve em Lisboa para assinar mais um protocolo de cooperação com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A parceria prevê ações na gestão de serviços farmacêuticos, a introdução de tecnologias de radiofarmácia (voltadas para a medicina nuclear) no Sistema Único de Saúde (SUS), além da realização de pesquisas conjuntas, cursos de formação e projetos de inovação.
No ano passado, a colaboração entre as duas instituições também viabilizou a entrada, no mercado europeu, do medicamento antimalária produzido pela Fiocruz. Atualmente, 75% das patentes da Universidade de Coimbra estão concentradas na área da saúde.
“Há uma relação sinérgica: de um lado, a universidade apoia a Fiocruz e suas unidades técnico-científicas e, de outro, elas nos abrem portas no Brasil. Também estamos ampliando essa colaboração para outras frentes, como sustentabilidade e ambiente, por meio da Fiotec”, afirma.
Além da cooperação científica, a Universidade de Coimbra também atua no apoio à criação e ao desenvolvimento de spin-offs e startups, com o suporte do Instituto Pedro Nunes, referência em empreendedorismo e inovação. Apenas em Coimbra há mais de 120 empresas desse tipo.
“Hoje não olhamos apenas para empreendedores, mas também para empresas consolidadas que veem Portugal como uma porta de entrada para o mercado europeu. A parceria com a Universidade de Coimbra transmite mais confiança para quem pretende expandir os negócios”, diz.
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Metas para o futuro
Segundo Mendonça, nos próximos três anos, a prioridade será transformar as parcerias já existentes em resultados concretos, como novos financiamentos, projetos contratados, prestação de serviços e pesquisas em andamento, com foco na economia azul, agronegócio e sustentabilidade.
“Mais do que aumentar o número de protocolos, queremos ampliar os resultados dessas parcerias. Esse será o principal indicador do nosso trabalho nos próximos anos”, conclui.
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