Milhares de pessoas assistiram ao eclipse solar que chegou ao seu ápice máximo durante às 19h30 desta quarta-feira (12). No aeroporto de Bragança, local onde o eclipse chegou a 99%, estiveram presentes mais de sete mil pessoas para assistir ao fenômeno, que não acontecia em todo o país há 144 anos. Já em Rio de Onor, também em Bragança, único local do país com o eclipse de 100%, diversos jornalistas, pesquisadores e cientistas estiveram presentes para observar o fenômeno.

“Das coisas mais bonitas que eu já vi no céu, foi impressionante ver a luz a baixar, estes campos todos a ficarem quase azuis, parecia uma luz azul, de repente ficou escuro, tiramos os óculos durante 20 segundos e foi um momento uau”, descreveu a diretora do Ciência Viva, Ivone Fachada.
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Já no festival Paredes de Coura, que reúne artistas mundiais até o próximo domingo (16), os shows pararam por cerca de 30 minutos para que todos pudessem observar ao fenômeno astronômico.
A empresária brasileira Joana Figueiredo reuniu-se com um grupo de amigos na praia do Guincho, em Cascais, e se impressionou com a quantidade de gente: “Inicialmente, íamos para o Cabo da Roca, mas o trânsito estava todo parado e resolvemos parar por aqui, que também estava com ótima visibilidade. Foi um momento muito especial, o primeiro eclipse do meu filho Benjamin, de 10 anos, que se divertiu muito ao lado dos amigos”.
O trânsito intenso também impediu que as amigas Juliana Thimoteo e Fabianna Sá conseguissem chegar ao destino previsto para ver o eclipse, mas ainda assim elas consideraram um evento único poder assistir ao fenômeno:
“Fiz um horário especial no trabalho para sair mais cedo. O trajeto até a minha casa, que costuma levar 15 minutos virou 30. Não conseguimos chegar a tempo até a praia que queríamos, mas fomos curtindo o eclipse do carro e acabamos parando em um posto de gasolina para o ápice. Por sorte, o local tinha uma visibilidade ótima. Foi corrido, mas valeu a pena”, conta Juliana.

“A saga começou na tentativa de encontrar os óculos. Fui a diversas lojas em Lisboa e todas estavam com a placa de esgotado. A solução foi revezarmos. Mas foi muito emocionante. Lindo mesmo”, completa Fabianna.
“Foi um evento único, mas acho que o que mais me marcou foi ver a mobilização de todos ao redor: um emprestando os óculos para o outro, todos preocupados para que ninguém olhasse diretamente para o eclipse. Confesso que a curiosidade de olhar bateu, mas me mantive firme seguindo todas as orientações de segurança. E, no fim, ficou também uma reflexão bonita: por alguns instantes a escuridão chega, muda tudo ao nosso redor, mas logo a luz volta. É difícil não pensar um pouco sobre a vida também”, refletiu a produtora brasileira Bianca Brustein, que conferiu o eclipse.

Ao todo, foram realizadas mais de 398 ações em todo o país para assistir ao eclipse que cobriu 92% e 99% de todo o sol em Portugal Continental e entre 74% a 77% na Ilha da Madeira e no Açores. O acontecimento ocorreu entre as 18h30 e as 20h30, tendo seu pico máximo às 19h32 e chegou ao seu ápice por apenas 26 segundos, momento em que a lua cobriu o sol em sua totalidade. O espetáculo mobilizou residentes em Portugal que buscaram, desde o início do ano, os óculos especiais que permitiam ver o eclipse com segurança para os olhos.
O eclipse começou a se formar na Islândia, passou pela Grã-Bretanha e na quarta-feira passou por Espanha e Portugal. Por passar ao norte da Espanha, o fenômeno foi mais visível por lá, além ter durado mais tempo, cerca de dois minutos.

O próximo eclipse total em todo o território português só deve acontecer em 2144, mas para 2027 um novo eclipse deve acontecer, mas só deve ser visível em uma pequena região na cidade de Faro.
O eclipse solar também reduziu a produção de energia solar em 45%, segundo estimou a Redes Energéticas Nacionais (REN). A rede informou que o equilíbrio e a segurança do abastecimento de energia foi garantido através da produção hidroelétrica e a gás natural.
“No período de maior impacto do eclipse, o equilíbrio do sistema foi assegurado essencialmente pela produção hidroelétrica, que atingiu cerca de 5 GW, complementada por aproximadamente 1,35 GW de produção a gás natural em centrais de ciclo combinado e ainda 0,6 GW de produção eólica”, detalhou a REN em comunicado.
Com informações da Agência Lusa
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