CIÊNCIA

Eclipse deixa brasileiros entre emoção e improviso em Portugal, e reduz produção de energia solar em 45%

Fenômeno raro só deve voltar a acontecer em todo o território português em 2144

Agosto 13, 2026

Joana Figueiredo com os amigos na Praia do Guincho durante o eclipse (Foto: acervo pessoal)
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Milhares de pessoas assistiram ao eclipse solar que chegou ao seu ápice máximo durante às 19h30 desta quarta-feira (12). No aeroporto de Bragança, local onde o eclipse chegou a 99%, estiveram presentes mais de sete mil pessoas para assistir ao fenômeno, que não acontecia em todo o país há 144 anos. Já em Rio de Onor, também em Bragança, único local do país com o eclipse de 100%, diversos jornalistas, pesquisadores e cientistas estiveram presentes para observar o fenômeno.

Eclipse solar total verificado em Bragança. Crédito: EPA/Pedro Sarmento Costa

“Das coisas mais bonitas que eu já vi no céu, foi impressionante ver a luz a baixar, estes campos todos a ficarem quase azuis, parecia uma luz azul, de repente ficou escuro, tiramos os óculos durante 20 segundos e foi um momento uau”, descreveu a diretora do Ciência Viva, Ivone Fachada.

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Já no festival Paredes de Coura, que reúne artistas mundiais até o próximo domingo (16), os shows pararam por cerca de 30 minutos para que todos pudessem observar ao fenômeno astronômico.

A empresária brasileira Joana Figueiredo reuniu-se com um grupo de amigos na praia do Guincho, em Cascais, e se impressionou com a quantidade de gente: “Inicialmente, íamos para o Cabo da Roca, mas o trânsito estava todo parado e resolvemos parar por aqui, que também estava com ótima visibilidade. Foi um momento muito especial, o primeiro eclipse do meu filho Benjamin, de 10 anos, que se divertiu muito ao lado dos amigos”.

O trânsito intenso também impediu que as amigas Juliana Thimoteo e Fabianna Sá conseguissem chegar ao destino previsto para ver o eclipse, mas ainda assim elas consideraram um evento único poder assistir ao fenômeno:

“Fiz um horário especial no trabalho para sair mais cedo. O trajeto até a minha casa, que costuma levar 15 minutos virou 30. Não conseguimos chegar a tempo até a praia que queríamos, mas fomos curtindo o eclipse do carro e acabamos parando em um posto de gasolina para o ápice. Por sorte, o local tinha uma visibilidade ótima. Foi corrido, mas valeu a pena”, conta Juliana.

Os amigos Juliana Thimoteo, André Agrizzi e Fabiana Sá ficaram presos no trânsito, mas conseguiram ver o eclipse de um posto de gasolina (Foto: acervo pessoal)

“A saga começou na tentativa de encontrar os óculos. Fui a diversas lojas em Lisboa e todas estavam com a placa de esgotado. A solução foi revezarmos. Mas foi muito emocionante. Lindo mesmo”, completa Fabianna.

“Foi um evento único, mas acho que o que mais me marcou foi ver a mobilização de todos ao redor: um emprestando os óculos para o outro, todos preocupados para que ninguém olhasse diretamente para o eclipse. Confesso que a curiosidade de olhar bateu, mas me mantive firme seguindo todas as orientações de segurança. E, no fim, ficou também uma reflexão bonita: por alguns instantes a escuridão chega, muda tudo ao nosso redor, mas logo a luz volta. É difícil não pensar um pouco sobre a vida também”, refletiu a produtora brasileira Bianca Brustein, que conferiu o eclipse.

A produtora Bianca Brustein confere o pôr do sol na Ericeira (Foto: acervo pessoal)

Ao todo, foram realizadas mais de 398 ações em todo o país para assistir ao eclipse que cobriu 92% e 99% de todo o sol em Portugal Continental e entre 74% a 77% na Ilha da Madeira e no Açores. O acontecimento ocorreu entre as 18h30 e as 20h30, tendo seu pico máximo às 19h32 e chegou ao seu ápice por apenas 26 segundos, momento em que a lua cobriu o sol em sua totalidade. O espetáculo mobilizou residentes em Portugal que buscaram, desde o início do ano, os óculos especiais que permitiam ver o eclipse com segurança para os olhos.

O eclipse começou a se formar na Islândia, passou pela Grã-Bretanha e na quarta-feira passou por Espanha e Portugal. Por passar ao norte da Espanha, o fenômeno foi mais visível por lá, além ter durado mais tempo, cerca de dois minutos.

Composição de imagens que mostra as diferentes fases do eclipse em Rio do Onor, em Bragança. Crédito: EPA/Pedro Sarmento Costa

O próximo eclipse total em todo o território português só deve acontecer em 2144, mas para 2027 um novo eclipse deve acontecer, mas só deve ser visível em uma pequena região na cidade de Faro.

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O eclipse solar também reduziu a produção de energia solar em 45%, segundo estimou a Redes Energéticas Nacionais (REN). A rede informou que o equilíbrio e a segurança do abastecimento de energia foi garantido através da produção hidroelétrica e a gás natural.

“No período de maior impacto do eclipse, o equilíbrio do sistema foi assegurado essencialmente pela produção hidroelétrica, que atingiu cerca de 5 GW, complementada por aproximadamente 1,35 GW de produção a gás natural em centrais de ciclo combinado e ainda 0,6 GW de produção eólica”, detalhou a REN em comunicado.

Com informações da Agência Lusa

renan@revistaentrerios.pt