Portugal se agita nessa quarta-feira (12) para avistar o eclipse solar que fará com que o dia vire noite. Para observar o fenômeno que não deve acontecer de novo pelos próximos 100 anos, os moradores de Portugal já estão se movimentando para comprar seus óculos e para participar de eventos e festas dedicados ao momento.
Ao todo, serão mais de 398 ações em todo o país para assistir ao eclipse que deve cobrir 92% e 99% de todo o sol em Portugal Continental e entre 74% a 77% na Ilha da Madeira e no Açores. O acontecimento vai ocorrer entre entre as 18h30 e as 20h30, tendo seu pico máximo às 19h30.
O país tem se mobilizado. Uma parceria da Club de Visão com a Ciência Viva e a ZEISS já distribuiu três levas de óculos especiais gratuitos em sua rede com mais de 600 óticas em todo o país. Outras óticas também têm fornecido os acessórios, que têm se esgotado rapidamente.
O professor Pedro Mota Machado, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e membro da Comissão Nacional do Projeto Eclipse, destaca os principais cuidados necessários para se observar o eclipse e ressalta como é possível driblar a falta de óculos disponíveis.
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“É importante que toda a gente veja o eclipse, mas em segurança, usando óculos certificados para eclipse. Como o eclipse dura cerca de duas horas, um grupo de amigos ou familiares não precisa de ter um par de óculos para cada pessoa. Quem olha para o Sol deve usá-los, mas não deve olhar por mais de 20 a 30 segundos de cada vez. Depois disso, deve desviar o olhar, tirar os óculos e passar ao próximo da roda. Assim, ninguém perde a oportunidade de ver o eclipse com segurança, várias vezes”, relata.
O especialista relata que nunca se deve olhar diretamente para o sol, uma vez que os olhos não possuem receptores de dor e, portanto, não se sente que os olhos poderão ser afetados de forma drástica. “Bastam alguns segundos de exposição para a retina ficar danificada de forma permanente. Isso pode alterar a visão para o resto da vida ou mesmo provocar cegueira. Não é uma brincadeira, é algo muito sério”, afirma o professor.
Ele ainda destaca que não se deve utilizar de forma alguma os óculos escuros comuns, já que não protegem os olhos aos raios solares. Os acessórios que vêm sendo distribuídos possuem um filtro que só permitem a passagem de um milésimo da radiação solar, protegendo os olhos. Mas ainda assim só pode haver a observação direta por poucos segundos.
“Também não se devem usar técnicas alternativas, como radiografias antigas, que têm circulado nas redes sociais. Essas práticas deixam marcas permanentes nos olhos”, alerta.
Os óculos podem ser encontrados em farmácias, óticas, centros do Ciência Viva e lojas especializadas e o custo é de cerca de 2 a 3 euros.
O que é o eclipse e o que deve ser estudado
O eclipse é a sombra projetada pela Lua sobre a Terra cobrindo o sol durante o dia. Sua sombra é pequena e chega até no máximo 300 quilômetros. A raridade do fenômeno dessa vez está no fato de que a sombra da lua acontece apenas em uma pequena parte do território e não sobre todo o país.

A última vez em que houve eclipse foi no ano de 1912 e o próximo só deve acontecer em 2144. “Estar vivo para ver este fenômeno em Portugal continental é, portanto, muito raro. Isso tem a ver com o facto de a projeção da sombra da Lua sobre o Sol e sobre o nosso planeta ser pequena, o que torna a probabilidade de acontecer na mesma região relativamente baixa”, destaca o especialista.
Uma comissão especial do Eclipse formada por cientistas deverá se reunir no Parque Natural de Montesinho, perto de Bragança, no extremo norte do país, por ser o local em que o eclipse será de 100% durante apenas 26 segundos em que haverá total escuridão e será criado o efeito de um “anel de diamante” no céu. O objetivo é observar e estudar o fenômeno que ainda intriga os próprios especialistas.
“Alguns colegas farão observações na zona de eclipse total, sobretudo na Espanha, em que há mais tempo de totalidade da fase noturna para observar a coroa solar, a zona iluminada em torno do Sol. Essa coroa levanta muitas questões. A temperatura do sol é de cerca de 5.500 °C, mas as medições da coroa solar apontam para temperaturas entre 1 milhão e 2 milhões de graus, um valor cuja causa ainda não é totalmente compreendida”, afirma ele.
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Esse é o único momento em que a coroa solar é vista. Outras questões de estudo relacionadas à física solar e fenômenos relacionados com as ejeções de massa solar, o campo magnético do Sol e o vento solar, também serão objetos de estudo.
O eclipse começou a se formar na Islândia, passou pela Grã-Bretanha e na quarta passa por Espanha e Portugal. Por passar ao norte da Espanha, o fenômeno é mais visível por lá, além do eclipse total durar por mais tempo, cerca de dois minutos.
“A sombra é um pequeno círculo. A parte que vai passar em Portugal é só uma pequena corda, seja uma uma interseção com a circunferência muito pequena já perto da borda. O andamento da sombra sobre o sol vai passar quase na íntegra na Espanha e por isso demora mais tempo”, finaliza.
Confira no site oficial todos os detalhes e ações disponíveis.
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