MEMÓRIA

No antigo Teatro Olympia, este hotel mantém viva a história de um ícone de Lisboa

Instalado nos Restauradores, hotel recupera um edifício centenário que já foi teatro, cinema e cabaret, mantendo referências ao seu passado artístico

Julho 23, 2026

Localizado nos Restauradores, o edifício centenário já abrigou teatro, cinema, cabaret e outros espaços de entretenimento antes de ser reabilitado e transformado em hotel. Crédito: Divulgação
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Quem gosta de descobrir as cidades para além dos cartões-postais encontra no Olympia Lis Baixa Hotel uma curiosidade difícil de ignorar: o edifício onde hoje funcionam quartos, restaurante e áreas comuns já foi um dos espaços de entretenimento mais conhecidos de Lisboa.

Antes de se tornar hotel, o Olympia foi teatro, sala de concertos, cinema, cabaré e, nas últimas décadas da sua atividade, uma sala dedicada à exibição de filmes para adultos. Após anos encerrado, o imóvel foi reabilitado e voltou a receber público, desta vez como unidade hoteleira.

Localizado na Rua dos Condes, junto à Praça dos Restauradores, o empreendimento abriu portas procurando preservar referências à identidade do edifício. Logo na entrada, o pé-direito elevado e a recepção remetem ao caráter monumental do antigo Olympia.

Ao longo dos corredores, obras de artistas portugueses, referências ao cinema clássico e às artes performativas ajudam a manter viva a memória de um espaço que acompanhou diferentes momentos da vida cultural lisboeta.

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Mais de um século de história

O então Salão Olympia foi inaugurado em 22 de abril de 1911, em uma época em que Lisboa vivia a expansão dos grandes espaços dedicados ao lazer e à cultura. O edifício reunia teatro, concertos, restaurante, gabinete de leitura e uma sala de cinema equipada com cabine de projeção isolada, uma novidade na altura.

Ao longo do século XX, o espaço acompanhou as transformações da cidade. Em 1929, tornou-se o Olympia Club, um cabaré que funcionou até 1959. Depois da Revolução dos Cravos, passou a dedicar-se à exibição de filmes eróticos e pornográficos, atividade mantida até o encerramento definitivo, em 2001.

Para a reabilitação que deu origem ao hotel boutique, o projeto arquitetônico foi desenvolvido por João Reino e os interiores ficaram a cargo da designer Cristina Santos Silva. Atualmente, dispõe de 60 quartos e suítes, alguns com jacuzzi na varanda.

Embora o interior tenha sido adaptado às necessidades de uma unidade hoteleira contemporânea, o projeto procurou dialogar com a vocação artística do antigo Olympia. Na recepção, uma instalação da artista Joana Vasconcelos, intitulada “As Valquírias”, composta por tecidos, crochês e rendas, marca a entrada, enquanto corredores e quartos recebem obras de artistas portugueses que dialogam com a memória do edifício.

 

 

Cozinha portuguesa sem reinventar tradições

No piso térreo funciona o Bistrô Olympia, aberto também ao público. A proposta combina pratos portugueses e influências mediterrâneas, mas, segundo o chef Bernardo Demoustier, a prioridade foi construir uma carta baseada na simplicidade.

“A ideia era sermos verdadeiros, fazer uma cozinha que não inventasse nem fugisse muito do comum e do típico português. Tentamos fazer pratos verdadeiros. Comida portuguesa verdadeira, bem feita, que lembre o sabor da comida da avó. É cozinha portuguesa verdadeira, sem invenções”, diz à EntreRios.

Na carta aparecem opções como tártaro de novilho, linguine alle vongole, risoto de alcachofras com queijo São Jorge DOP, bochechas de porco ibérico, bife à portuguesa e entrecôte grelhado.

À frente da cozinha, o chef Bernardo Demoustier privilegia receitas tradicionais e sabores familiares. Crédito: Divulgação

Para o chef, a cozinha portuguesa consegue dialogar naturalmente com os visitantes estrangeiros.

“A comida portuguesa acaba por agradar muito às culturas diferentes. Como não é uma cozinha que vá buscar muitas especiarias nem seja muito picante, acaba por ser transversal e penso que toda a gente gosta”.

Há poucas semanas, o restaurante também passou a servir brunch aos sábados e domingos, entre as 11h30 e as 15h, sem necessidade de reserva. Segundo Demoustier, a equipe já trabalha na harmonização da carta com vinhos e prepara menus específicos para datas como o Natal e a virada de ano.

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A poucos passos, os palcos continuam acesos

Embora o Olympia já não receba espetáculos como fazia no início do século XX, a tradição cultural da região continua viva. A cerca de um minuto a pé do hotel está o Teatro Politeama, uma das principais salas de espetáculos de Lisboa, dirigida por Filipe La Féria.

Atualmente, está em cartaz o musical Carmen Miranda, que revisita a trajetória da artista nascida em Portugal e consagrada no Brasil antes de conquistar a Broadway e Hollywood. A superprodução percorre diferentes momentos da carreira da cantora, reunindo música, figurinos inspirados na época, humor e emoção para retratar a mulher por trás do mito.

A proximidade entre os dois edifícios cria uma ligação entre passado e presente. Se o antigo Olympia deixou de receber espetáculos há décadas e ganhou uma nova função, o Politeama mantém viva, a poucos metros dali, a tradição dos grandes musicais que continuam a marcar a cena cultural lisboeta.

Serviço

O Olympia Lis Baixa Hotel fica na Rua dos Condes, 17, junto à Praça dos Restauradores, em Lisboa. A unidade conta com 60 quartos e suítes, serviço de concierge, sala dedicada a massagens e terapias de bem-estar e o Bistrô Olympia, aberto também ao público.

O restaurante serve café da manhã diariamente, brunch aos sábados e domingos (das 11h30 às 15h), além de almoço e jantar.

flavio@revistaentrerios.pt