HISTÓRIA

Almograve: a praia que renasceu de uma das maiores tragédias ambientais de Portugal

Destino no Alentejo impressiona pela paisagem preservada, que se refez após grave vazamento de petróleo

Agosto 18, 2026

Cenário de águas cristalinas, falésias avermelhadas e natureza preservada, Almograve se recuperou após acidente ambiental. Crédito: Lizzie Nassar

Quem chega à Praia de Almograve pela primeira vez dificilmente imagina que aquele cenário de águas cristalinas, falésias avermelhadas e natureza preservada já foi coberto por uma espessa camada de petróleo. Hoje, o som das ondas domina a paisagem. Mas, há pouco mais de três décadas, o litoral de Odemira viveu um dos capítulos mais dramáticos da história ambiental portuguesa.

O vazamento de petróleo que marcou o litoral português

Era 14 de julho de 1989 quando o petroleiro Marão sofreu um acidente durante a entrada no Porto de Sines. Cerca de seis mil toneladas de petróleo bruto vazaram no mar. Levado pelas correntes, o óleo atingiu diversas praias no Alentejo, mas foi em Almograve que a maré negra deixou uma de suas marcas mais profundas.

A areia desapareceu sob o óleo. As rochas ficaram completamente escuras. A fauna marinha sofreu os impactos da contaminação, enquanto moradores, pescadores, bombeiros, voluntários e equipes especializadas iniciavam uma corrida contra o tempo para tentar salvar um dos trechos mais preservados do litoral de Portugal.

Hoje, quem chega a Almograve encontra uma paisagem bem diferente daquela atingida pelo petróleo em 1989.
A recuperação da área levou anos e exigiu um esforço coletivo. Crédito: Lizzie Nassar

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A tragédia mobilizou centenas de pessoas e transformou Almograve em símbolo de um dos maiores desafios ambientais enfrentados pelo país. A recuperação levou anos e exigiu um esforço coletivo que ainda hoje é lembrado pela população local.

Em 2019, no aniversário de 30 anos do acidente, a Câmara Municipal de Odemira promoveu o programa “30 anos do mar limpo”, em homenagem às pessoas que participaram da recuperação da costa. A iniciativa também reforçou um alerta que permanece atual: proteger os oceanos é uma responsabilidade permanente.

Da maré negra à preservação ambiental

Hoje, quem chega à pacata vila encontra um lugar bem diferente daquele atingido pelo derramamento em 1989. Localizada entre Vila Nova de Milfontes e Zambujeira do Mar, dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a praia impressiona pela combinação de uma ampla faixa de areia, falésias avermelhadas e formações rochosas esculpidas pelo Oceano Atlântico. Ao sul, o Cabo Sardão oferece alguns dos mirantes mais espetaculares da costa portuguesa.

Hoje, quem chega a Almograve encontra uma paisagem bem diferente daquela atingida pelo petróleo em 1989.
Hoje, quem chega a Almograve encontra um lugar bem diferente daquela atingida pelo petróleo em 1989. Crédito: Lizzie Nassar

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Além da beleza natural, Almograve Norte e Almograve Sul ostentam a Bandeira Azul, um selo internacional concedido às praias que atendem rigorosos critérios de qualidade da água, preservação ambiental, segurança e infraestrutura. O reconhecimento mostra que o mesmo mar que um dia foi palco de um desastre ambiental hoje é referência em conservação.

O local também conta com estacionamento, banheiros, chuveiros, bares, restaurantes e serviço de guarda-vidas durante a temporada de verão.

A história de Almograve vai muito além de um destino turístico. Ela mostra como uma das maiores catástrofes ambientais deu lugar a um dos exemplos mais emblemáticos de recuperação ecológica do país. Caminhar por ali é contemplar uma paisagem de rara beleza, mas também lembrar que preservar o oceano é a única forma de garantir que histórias como a de 1989 não se repitam.

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