Quem chega à Praia de Almograve pela primeira vez dificilmente imagina que aquele cenário de águas cristalinas, falésias avermelhadas e natureza preservada já foi coberto por uma espessa camada de petróleo. Hoje, o som das ondas domina a paisagem. Mas, há pouco mais de três décadas, o litoral de Odemira viveu um dos capítulos mais dramáticos da história ambiental portuguesa.
O vazamento de petróleo que marcou o litoral português
Era 14 de julho de 1989 quando o petroleiro Marão sofreu um acidente durante a entrada no Porto de Sines. Cerca de seis mil toneladas de petróleo bruto vazaram no mar. Levado pelas correntes, o óleo atingiu diversas praias no Alentejo, mas foi em Almograve que a maré negra deixou uma de suas marcas mais profundas.
A areia desapareceu sob o óleo. As rochas ficaram completamente escuras. A fauna marinha sofreu os impactos da contaminação, enquanto moradores, pescadores, bombeiros, voluntários e equipes especializadas iniciavam uma corrida contra o tempo para tentar salvar um dos trechos mais preservados do litoral de Portugal.

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A tragédia mobilizou centenas de pessoas e transformou Almograve em símbolo de um dos maiores desafios ambientais enfrentados pelo país. A recuperação levou anos e exigiu um esforço coletivo que ainda hoje é lembrado pela população local.
Em 2019, no aniversário de 30 anos do acidente, a Câmara Municipal de Odemira promoveu o programa “30 anos do mar limpo”, em homenagem às pessoas que participaram da recuperação da costa. A iniciativa também reforçou um alerta que permanece atual: proteger os oceanos é uma responsabilidade permanente.
Da maré negra à preservação ambiental
Hoje, quem chega à pacata vila encontra um lugar bem diferente daquele atingido pelo derramamento em 1989. Localizada entre Vila Nova de Milfontes e Zambujeira do Mar, dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, a praia impressiona pela combinação de uma ampla faixa de areia, falésias avermelhadas e formações rochosas esculpidas pelo Oceano Atlântico. Ao sul, o Cabo Sardão oferece alguns dos mirantes mais espetaculares da costa portuguesa.

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Além da beleza natural, Almograve Norte e Almograve Sul ostentam a Bandeira Azul, um selo internacional concedido às praias que atendem rigorosos critérios de qualidade da água, preservação ambiental, segurança e infraestrutura. O reconhecimento mostra que o mesmo mar que um dia foi palco de um desastre ambiental hoje é referência em conservação.
O local também conta com estacionamento, banheiros, chuveiros, bares, restaurantes e serviço de guarda-vidas durante a temporada de verão.
A história de Almograve vai muito além de um destino turístico. Ela mostra como uma das maiores catástrofes ambientais deu lugar a um dos exemplos mais emblemáticos de recuperação ecológica do país. Caminhar por ali é contemplar uma paisagem de rara beleza, mas também lembrar que preservar o oceano é a única forma de garantir que histórias como a de 1989 não se repitam.