Serve para matar a sede, brindar ou relaxar. E é aí que começam as falsas crenças. O álcool não hidrata, como provoca o efeito contrário. Também não relaxa e pode prejudicar a qualidade do sono. Consumido com frequência, aumenta o risco de dependência, mas ainda assim, dizer não a “mais um copo” pode ser constrangedor.
No entanto é curioso observar que dificilmente alguém insistiria para que um amigo fumasse um cigarro “só desta vez”. Com o álcool, porém, a lógica é outra. Os vícios socialmente aceitos são os mais difíceis de controlar, justamente porque seus efeitos costumam ser subestimados. “É só uma taça”, “é só hoje”, “você vai estragar a festa?”

Frases como essas fazem parte do cotidiano, e pouco importa se a pessoa vai dirigir, se toma medicação, tem alguma doença, está grávida, em recuperação de uma dependência ou, simplesmente, não gosta de beber.
A insistência costuma vir acompanhada da ideia de que “um copo a mais não vai fazer diferença”.
Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 2,6 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência do consumo de álcool, o que representa aproximadamente 5% de todas as mortes no mundo.
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Segundo a própria organização, o álcool está relacionado ao desenvolvimento de mais de 200 doenças, lesões e outros agravos à saúde, incluindo enfermidades hepáticas e cardiovasculares, diversos tipos de câncer, depressão, ansiedade e, naturalmente, a dependência.

Existe um paradoxo na forma como a sociedade encara o álcool. Enquanto campanhas de saúde incentivam hábitos saudáveis, o consumo de bebidas alcoólicas continua sendo socialmente esperado.
Em muitos encontros, a pergunta não é se alguém quer beber, mas porque não está bebendo. E engana-se quem pensa que é preciso beber muito para desenvolver dependência. O vício pode se instalar de forma lenta e silenciosa, muitas vezes sem que a própria pessoa perceba.
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Com isso, não se defende que nunca se deve consumir bebidas alcoólicas. Mas é fundamental respeitar quem opta por não beber. Promover a saúde mental também passa por criar ambientes seguros, nos quais ninguém precise colocar o próprio bem-estar em risco apenas para se sentir incluído. Respeitar essa decisão deveria ser tão natural quanto respeitar qualquer outra escolha relacionada à saúde.
susana@revistaentrerios.pt
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