O fim de agosto tem um ritual próprio na Foz do Douro. No domingo (30), o tradicional Cortejo do Traje do Papel volta às ruas do Porto e promete reunir um número recorde de participantes. Segundo a União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, serão 700 figurantes, contra os cerca de 500 que costumam participar do desfile.
Com raízes em uma tradição de mais de 150 anos, a celebração, também conhecida como Cortejo de São Bartolomeu, reúne fantasias, personagens e trajes confeccionados em papel em um percurso que atravessa a região da Foz e termina no mar. A programação começa às 10h30, na Rua das Sobreiras, seguindo pelo Passeio Alegre e pela Rua Senhora da Luz até a Praia do Ourigo.
É ali que acontece o momento mais conhecido: o “banho santo”, quando os participantes entram nas águas em um ritual associado à purificação e à proteção contra o mal.

Como surgiu o Cortejo do Traje do Papel
A origem da celebração está ligada à antiga romaria de São Bartolomeu, realizada no século XIX. Segundo a tradição popular, o fim de agosto era associado à presença do Diabo pelas ruas. Para afastar o mal, os moradores recorriam ao mar, acreditando que São Bartolomeu se manifestava nele.

O banho nas ondas passou, assim, a fazer parte dos festejos dedicadas ao santo. A prática ganhou um caráter de proteção e purificação e permanece até hoje como um dos elementos centrais do desfile.
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As roupas de papel, porém, surgiram mais tarde. A tradição foi incorporada por volta da década de 1930 pelas mãos do embarcadiço Costa Padeiro, que associou as fantasias à chamada “Festa do Banheiro”.
O primeiro evento oficial com o figurino característico ocorreu em 1952. Desde então, a festa se consolidou como uma das tradições populares mais conhecidas da Foz do Douro.

“Fábulas e Lendas” são tema da edição de 2026
Neste ano, o tema será “Fábulas e Lendas”. Os 700 figurantes deverão ocupar as ruas da Foz com os tradicionais figurinos antes de seguirem em direção à Praia do Ourigo. O desfile também costuma atrair milhares de pessoas para acompanhar o percurso.
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A permanência da prática ao longo das décadas ganhou ainda um reconhecimento institucional. O Cortejo do Traje do Papel foi inscrito no Inventário Nacional do Patrimônio Cultural Imaterial (INPCI) e é candidato a um futuro reconhecimento pela Unesco.
flavio@revistaentrerios.pt