Rock in Rio

Roberta Medina e o Rock in Rio Lisboa: vai começar o festival das grandes emoções

O Rock in Rio Lisboa está maior na 11ª edição, apostando em experiências coletivas e novas conexões com o público

Junho 17, 2026

Roberta Medina. Crédito: Renato Velasco
Em entrevista à EntreRios Roberta Medina adianta detalhes da edição 2026. Crédito: Renato Velasco

Quarenta e um anos depois de nascer, o Rock in Rio já não pertence apenas à cidade que lhe deu nome. Virou um território próprio, capaz de reunir milhares de pessoas em torno da música, da memória e de uma sensação coletiva difícil de explicar. Em Lisboa, onde o festival encontrou uma segunda casa há 22 anos, a Cidade do Rock volta a ganhar vida nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho, com uma edição maior em dimensão e experiências.

No line-up, nomes como Katy Perry, Linkin Park, Rod Stewart, Belo e Pedro Sampaio dividem espaço com um conceito que vai além dos palcos. “Não é só sobre a gente anunciar talentos e vender ingressos. É sobre relacionamento”, afirma Roberta Medina, vice-presidente executiva do evento. A frase ajuda a explicar por que o festival continua mobilizando multidões décadas depois: só em Lisboa, já foram 48 dias de evento e mais de três milhões de pessoas desde 2004. Também revela muito sobre a própria Roberta, que cresceu dentro do Rock in Rio antes de ajudar a transformá-lo em um fenômeno global. A empresária, que vive em Portugal há 23 anos, comanda o festival lisboeta desde a primeira edição. 

LEIA MAIS: Rock in Rio: relembre as apresentações que marcaram gerações

Filha de Roberto Medina, idealizador do evento, Roberta tinha sete anos de idade quando se perdeu durante as obras da primeira edição, no Rio de Janeiro, em 1985. Ela dormiu debaixo de uma mesa, brincou com os óculos oficiais distribuídos ao público e guarda até hoje imagens muito específicas daquela estreia. “De artista eu tenho duas grandes memórias: o cabelo pink da Nina Hagen e o cabelo vermelho fogo da Rita Lee”, recorda.

Roberto, Roberta e Rodolfo Medina. Divulgação
Roberto Medina com os filhos no espaço da Cidade do Rock da primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Crédito: Arquivo pessoal/ Roberta Medina

A edição de 2026 chega com uma Cidade do Rock 25 mil metros quadrados maior — o equivalente a mais de três campos de futebol — e capacidade ampliada de 80 mil para 100 mil pessoas por dia no Parque Tejo. A dimensão impressiona até quem já está habituado à escala do festival. Ainda assim, o crescimento físico do espaço deixou de ser suficiente. A solução encontrada foi olhar para cima. Literalmente.

“Resolvemos ocupar os céus”, conta Roberta. Nos intervalos dos shows do Palco Mundo, o público poderá assistir ao The Flight, espetáculo aéreo que mistura acrobacias, malabarismo, circo, movimentos radicais, vídeo e música, tudo suspenso sobre a plateia. “Queremos criar muitos momentos coletivos. Pra gente arrepiar junto.” Além das apresentações, o evento mantém atrações já tradicionais, como a roda-gigante e a tirolesa.

Roberta Medina. Crédito: Renata Telles
Roberta Medina no Parque Tejo em Lisboa. Crédito: Renata Telles

Se o ar ganhou seu espaço, o chão também passou por mudanças. O Palco Super Bock, que Roberta chama de “a grande surpresa do festival”, foi completamente repensado, tanto na estrutura quanto na proposta. A capacidade triplica, passando de cinco mil para 15 mil pessoas, com nova cenografia e reforço em luz, som e vídeo, além de uma programação que vai de podcasts a talk shows, sem abrir mão de música de peso.

“É o primeiro palco de recepção na Cidade do Rock. Não tem quem não vá ser impactado”, afirma a vice-presidente executiva. O espaço funcionará das 13h às 2h da manhã, somando 13 horas de conteúdo praticamente ininterrupto. A ideia é trazer para o ao vivo aquilo que o público já consome nas telas: influenciadores, criadores digitais e formatos de entretenimento nascidos no ambiente online.

Desde que chegou a Lisboa, em 2004, o Rock in Rio foi construindo uma identidade rara entre os grandes festivais do mundo: a de um evento que não precisa escolher entre o rock clássico e o pop atual, entre famílias com crianças e público que fica até de madrugada. “Conseguimos falar com todas as pessoas que têm vontade de estar aqui”, diz.

Rod Stewart se apresenta no Palco Mundo dia 27/06. Crédito: Crédito: Agência Lusa

Por trás das mudanças na estrutura e dos números cada vez maiores, Roberta fala de algo que chama de “a grande conversa do ano”. “Podemos estimular as pessoas a pensarem em coisas diferentes. Ouvir um pouquinho de coisas positivas, diferentes daquilo que a gente está todo dia sendo bombardeado”. 

Quando 100 mil pessoas se reúnem em paz num mesmo espaço, ela argumenta, isso vai além do entretenimento. É também uma espécie de demonstração. “A gente está mostrando alguma coisa importante para o mundo”.

E ela sabe do que fala. A memória afetiva está no centro de tudo: os cabelos coloridos das divas do rock, o medo antigo dos metaleiros que virou admiração, e o filho de 9 anos que hoje lhe apresenta artistas novos. O festival carrega a herança de geração em geração. No fim, não vende só ingresso, vende a chance de criar uma lembrança que vai durar a vida toda.

Quando o show vira partida de futebol

Em mês de Copa do Mundo, o Rock in Rio também entra no clima. Uma das novidades desta edição é a parceria com a Liga Portugal, que junta, nas palavras de Roberta Medina, “duas das maiores paixões dos portugueses”. No dia 27 de junho, depois dos shows do Palco Mundo, o festival transmite a partida entre Portugal e Colômbia. O horário é fora do comum — meia-noite e meia —, mas o contexto joga a favor: as 100 mil pessoas que acabaram de viver horas de música passam, juntas, do espetáculo para o esporte. “É um horário meio esquisito. Mas quando a apresentação do Rod Stewart terminar, a gente entra na torcida”.

Confira o line up desta edição

Katy Perry. Crédito: Wesley Allen
Katy Perry é a principal atração do dia de abertura do festival. Crédito: Agência Lusa

20 de junho: Katy Perry, Charlie Puth, Pedro Sampaio, Calema, Alok, Audrey Nuna, Nena, Maninho, Bebe Rexha, Napa e Sofia Camara

21 de junho: Linkin Park, Cypress Hill, The Pretty, Reckless, Grandson, Kaiser Chiefs, Hoobastank, Blasted Mechanism, Tara Perdida, Sepultura, P.O.D, Sam The Kid com orquestra e Orelha Negra e Dealema.

27 de junho: Rod Stewart, Cyndi Lauper, Shaggy, 4 Non Blondes, Xutos & Pontapés, GNR, UHF, Jafumega, Joss Stone, Belo, The Wailers e Syro.

28 de junho: 21 Savage, Central CEE, Rema, Matuê, Filipe Ret, Dennis, Carlão, Irina Barros, Lola Índigo e Ceelo Green

Crédito: Reprodução / Instagram (@belo)
O pagodeiro Belo sobe ao palco no sábado (27). Crédito: Reprodução / Instagram (@belo)

LEIA MAIS: Rock in Rio Lisboa: quando os festivais viram passarelas; escolha o seu estilo

Como chegar à Cidade do Rock

Para facilitar o acesso à Cidade do Rock, a organização preparou uma operação especial de mobilidade, com reforço nos transportes e diferentes alternativas de deslocamento. Quem optar pelo transporte público poderá usar o shuttle oficial da Carris, que fará o trajeto direto entre a Gare do Oriente e o local do evento entre 12h e 3h, prolongando-se até às 4h no dia 27 de junho. É possível comprar o bilhete antecipadamente por 2 euros. A partir do dia 15 de junho, o valor aumenta para 4 euros. Já quem escolher o comboio terá a estação de Sacavém como principal ponto de chegada, além de uma operação especial da CP com horários reforçados e tarifas promocionais. 

Mobilidade Rock in Rio Lisboa.
Confira o mapa de mobilidade do Rock in Rio Lisboa 2026. Crédito: Divulgação

Para quem prefere ir de carro, a Telpark disponibilizará 13 estacionamentos em Lisboa, com ligação facilitada ao transporte público até o evento: Roma, Alameda, Sete Rios, Berna, Valbom, Arco do Cego, Alves Redol, Praça de Londres, Santa Apolónia, Terminal de Cruzeiros, Alvalade XXI, Marquês de Pombal e MARL. 

A história que começou em 1985, no Rio de Janeiro, fez história com um line-up de peso: Queen, Rod Stewart e AC/DC. Em dez dias, mais de 1,3 milhão de pessoas passaram pela Cidade do Rock, um recorde nunca batido.

 

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por Rock in Rio (@rockinrio)

Esta reportagem foi publicada originalmente na edição impressa da EntreRios, disponível mensalmente em bancas de Portugal. Para ter acesso a conteúdos exclusivos e receber a revista em casa, assine aqui.

jordan@revistaentrerios.pt

jordan@revistaentrerios.pt